14 de maio de 2021
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Saúde

Programa do HU-UFGD tem como foco a atenção à saúde do homem indígena

Iniciativa lançada esta semana visa reduzir a demanda reprimida por procedimentos voltados à população masculina das comunidades

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Em parceria com o polo base do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em Dourados e a Secretaria Municipal de Saúde, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) está lançando nesta semana o Programa de Atenção à Saúde do Homem Indígena. A ação, estabelecida no mês de conscientização sobre o câncer de próstata, o Novembro Azul, tem como objetivo reduzir a demanda reprimida por procedimentos de saúde voltados à população masculina das comunidades indígenas do município.

Conforme dados do DSEI, pelo menos 205 procedimentos, entre exames e consultas, são aguardados por homens indígenas que estão cadastrados no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) em Dourados. Entre as necessidades estão: consultas com urologista e cirurgião-geral, endoscopias, colonoscopias, tomografias, ultrassonografias de próstata e bolsa escrotal e exames de eletrocardiograma e eletroencefalograma, especialidades para as quais o HU-UFGD é habilitado.

Os atendimentos estão sendo organizados pelo Núcleo de Saúde Indígena (NSI) do HU-UFGD e têm previsão de início no mês de dezembro. De acordo com o coordenador do Núcleo, enfermeiro Glênio Alves de Freitas, a demanda desse público específico pode ser praticamente zerada em até seis meses. “Será um atendimento importante para esta população, que levará em consideração a demanda reprimida e também os aspectos culturais e étnicos”, esclarece.

A ideia, no entanto, é que o programa seja permanente, de maneira a agilizar os atendimentos ao homem indígena e contribuir para que não haja novas pendências na assistência à saúde dessa população.

Habilitação

Com a implementação do Núcleo de Saúde Indígena em maio deste ano, o HU-UFGD passou a cumprir os requisitos necessários à habilitação pelo Ministério da Saúde para fazer jus ao Incentivo para Atenção Especializada aos Povos Indígenas (IAE-PI), recurso essencial ao progresso das ações de melhoria previstas pela instituição.

Diante disso, na última semana foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Nº 3.658 do Ministério da Saúde, que reconhece o cumprimento dos requisitos por parte do hospital e atende ao pleito da instituição a habilitando para o recebimento de cerca de R$ 1 milhão ao ano destinado à saúde indígena.

Referência no atendimento às etnias da macrorregião, o HU-UFGD é o terceiro hospital em todo o Brasil a receber a habilitação no ano de 2018, sendo o primeiro na Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Em 2017, o HU-UFGD registrou 979 atendimentos a indígenas e foi, em todo o Estado de Mato Grosso do sul, a unidade de saúde com maior produção hospitalar voltada a esse público, uma vez que realiza procedimentos de média e alta complexidade.

O Núcleo

Com formação multiprofissional, o NSI é composto por assistente social, enfermeiros, médicos e dentista, além representantes da UFGD (Faculdade intercultural Indígena – FAIND e Faculdade de Ciências Humanas – FCH) e profissionais do polo base do DSEI em Dourados.

Entre os princípios que norteiam o NSI estão o respeito e a valorização da cultura e das tradições das etnias. Nesse sentido, algumas ações já previstas incluem a acolhida diferenciada, com disponibilidade de facilitadores sociais que tenham domínio do idioma e possam acompanhar e orientar o paciente, estreitando a comunicação e garantindo o acesso às informações necessárias ao atendimento.

No Plano de Ação do NSI constam, ainda, medidas específicas de assistência aos usuários indígenas, como aumento da oferta de dieta diferenciada, facilidade de acesso e permanência de acompanhantes, bem como dos cuidadores da medicina tradicional.