20 de abril de 2021
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Promotor acusa Estado de omissão e diz que indígenas agem independentes do Cimi

Em depoimento prestado nesta terça-feira (3), aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa,  que investiga denúncias de suposto financiamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em invasões de propriedades rurais no Estado, o procurador de justiça do Ministério Público Federal de MS, Emerson Kalif negou ter presenciado qualquer atitude suspeita do Cimi em relação as incitações de invasões de terras.

Na oportunidade, o procurador informou ter participado de assembleias realizadas por indígenas, sem que houvesse interferência, segundo o promotor, de terceiros. “As decisões são tomadas, normalmente, a portas fechadas, e na língua nativa deles”, disse. Durante a oitiva, Emerson Kalif acrescentou ainda que “o Cimi ocupa espaço que muitas vezes o Estado Brasileiro deveria ocupar. Ele ajuda a população indígena, o Cimi não pode ser considerado incitador, nunca vi o Cimi fazer isso”, completou.

De acordo com o promotor, o fato de o Conselho Indigenista Missionário “prestar informações e auxílio a comunidades indígenas no Estado não é crime”. Para Kalif, a falta de vontade política é a grande vilã no não processo de demarcação de terras. “Em grande parte a culpa é do governo federal e também do governo estadual. O Estado tem o maior número de homicídios indígenas de todo país”, dispara.

Para a produtora rural, Carmem Morais, o Cimi tem contribuído para que aconteçam invasões em fazendas, no Estado, proporcionando conflitos e desentendimentos. “ Assim como a maioria dos produtores rurais, eu acredito que o Cimi está por trás dessas ocupações, espero que a justiça seja feita”, externa.

Outros produtores rurais também participaram da oitiva. Vanth é produtor rural em Sidrolândia e Mirian em Aquidauana. Ambos tiveram suas fazendas invadidas em 2013. À CPI já prestaram depoimentos nove pessoas. Os jornalistas Lorenzo Carrasco e Nelson Barretto, estudiosos da área, os produtores rurais Jucimara e Ricardo Bacha, os indígenas Dionedson Cândido, Inocêncio Pereira, Cacilda Pereira e Abélcio Fernandes e o delegado Alcídio de Souza Araújo, da Polícia Federal.