17 de setembro de 2021
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FRUSTRAÇÃO

Sem o status de área livre, produtores esperavam mais de Tereza Cristina

Ministra comemora com governadores parecer que atende seis estados - Mato Grosso do Sul fica de fora

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Embora incensado por segmentos empresariais de outras regiões, o desempenho da ministra Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não vem agradando produtores de seu estado, Mato Grosso do Sul. É no mínimo frustrante o sentimento dos agropecuaristas locais diante da celebração da ministra com os governadores e ruralistas do Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Acre,  Amazonas e Mato Grosso ao parecer favorável da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para reconhecimento como zonas livres de febre aftosa sem vacinação.

No seu perfil do Instagram, Tereza Cristina publicou foto de sua reunião com os governadores Ratinho Jr (PR), Marcos Rocha (RO); Wilson Lima (AM); e  Mauro Mendes (MT), além dos secretários da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Covatti Filho, e de Produção e Agronegócio do Acre, Edivan Azevedo. Ela explica que convocou a reunião para "dar essa boa notícia" do parecer a ser apreciado e deliberado em maio, durante a 88ª assembleia-geral da OIE.

DESAFIO

Mato Grosso do Sul, um dos principais centros produtores agropecuários do País, vem acalentando há tempos esse status, depois de enfrentar durante anos o desafio para combater a febre aftosa. Em 2019, quando solicitou afastamento do mandato de deputada federal para assumir o ministério, Tereza Cristina se comprometeu a empenhar todo seu esforço para dar suporte ao governo sul-mato-grossense nessa empreitada. Com isso, criou expectativas, tanto que em abril daquele ano seu compromisso foi destacado durante um encontro do Comitê Gestor que atua no Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) em Mato Grosso do Sul.

Naquele encontro, o secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) reforçou a grande dimensão que o status de área livre da aftosa sem vacinação tem para a pecuária e a economia sul-mato-grossense. “O Governo do Estado fez opção estratégica e trabalha para que, no ano de 2021, Mato Grosso do Sul garanta esse status. A evolução vai nos permitir um novo posicionamento no mundo, pela qualidade na nossa carne. Atingimos níveis de excelência na produção pecuária, graças a programas como o Precoce e outros. Tudo isso pode ser prejudicado caso não consigamos cumprir as metas estabelecidas no PNEFA. Esta é uma responsabilidade e um trabalho de todos, produtores e governo”, pontuou Verruck.

Ainda no evento, Verruck citou o "excelente nível de cobertura vacinal no Estado, chegando a pouco mais de 98%", e ressaltou a meta de ter 100% do rebanho vacinado. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) enviou um projeto, aprovado pela Assembleia Legislativa, e o sancionou, instituindo o programa de atualização cadastral do produtor e ajuste de rebanho.

Entretanto, a expectativa transformou-se em incerteza e decepção esta semana, com a informação da ministra Tereza Cristina e a decisão do ministério de transferir para 2022 a suspensão da vacina no Estado. A justificativa, segundo a equipe gestora do Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PE-Pnefa): "Apesar do empenho dos estados para avançar o Plano Estratégico, o cenário de evolução conjunta ainda não se mostra adequado em nenhum dos blocos para suspensão da vacinação contra a febre aftosa de forma segura".  

Na última terça-feira, 9, Tereza Cristina veio para participar de um ato do Ministério da Educação para a entrega de 168 ônibus destinados ao transporte escolar rural e urbano. Falou de diversos avanços de sua Pasta que beneficiam políticas de desenvolvimento econômico e o agronegócio em todo o país. Mas não abordou, com os detalhes tão esperados, o tema da área livre de aftosa sem vacina para Mato Grosso do Sul.

FUNDERSUL 

Sem medidas específicas e direcionadas a demandas com singularidades locais, os produtores sulmatogrossenses só não ficaram totalmente desamparados porque além das medidas de alcance nacional estão contando com o Fundersul (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento Rodoviário). "Este é hoje o grande, na verdade o maior, instrumento de suporte para o setor produtivo do Estado", enfatiza o deputado federal Vander Loubet (PT/MS).

Loubet assinala que há mais de 20 anos o Fundersul - programa criado pelo governador Zeca do PT em 1999 - vem respondendo a necessidades operacionais dos segmentos produtivos, especialmente nas demandas de transporte e escoamento, com recursos para a manutenção, conservação e modernização da malha viária. "São obras de asfaltamento, de sinalização, de restauração, pontes e até adequações viárias urbanas. Não há um tostão do governo federal, esta é uma receita gerada pelo próprio setor produtivo", sublinha Vander Loubet.