24 de janeiro de 2021
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Ex-ginecologista

Testemunhas são ouvidas no júri do ex-ginecologista acusado por lipo que matou paciente

Médico não tinha habilitação para realizar o procedimento e teve o registro cassado

Duas testemunhas já foram ouvidas na manhã desta quarta-feira (21) durante o júri do ex-médico Vanderson Bullamah, acusado de realizar uma lipoaspiração que resultou na morte da faxineira Maria Inês Guerino, de 39 anos, em setembro de 1996, em Ribeirão Preto (SP).

O julgamento teve início às 10h e a previsão é que se estenda por dois dias. A irmã da vítima foi a primeira testemunha a ser interrogada, seguida pelo médico legista responsável pela autópsia no corpo de Maria Inês, após a morte.

Bullamah, que era ginecologista e teve o registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2004, é acusado de realizar uma lipoaspiração em Maria Inês, dentro da clínica onde consultava, sem ter habilitação para o procedimento.

Segundo a EPTV, afiliada da Rede Globo, os advogados do réu não foram encontrados para comentar o caso. Consta no processo que Maria Inês foi socorrida após relatar um mal estar e chegou a ficar internada por algumas horas em um hospital particular, mas não resistiu. Filha da vítima, a dona de casa Dayana Cristina Guerino criticou a demora de 22 anos para julgamento do caso.

"Muito triste, porque faz 22 anos, eu tinha 10 anos, eu era uma criança quando tudo isso aconteceu. Eu fico muito triste com a Justiça, de não fazer nada até hoje. Espero que ele vá preso, que pague por todos os erros que ele fez. Não foi só a minha mãe que ele matou", desabafou.

Outros casos

Em 2016, Bullamah foi preso depois de ser condenado, em segundo instância, pela morte de outra paciente, a estudante Hellen Buratti, de 18 anos, em julho de 2002. A jovem também morreu devido a complicações de uma lipoaspiração realizada pelo ex-ginecologista.

Inicialmente, o ex-médico foi condenado a 18 anos de prisão, mas a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que reduziu a sentença para 10 anos de reclusão. Atualmente, Bullamah cumpria pena em regime de prisão domiciliar.

Bullamah também chegou a responder pela morte da bancária Vera Lúcia Caressato, em Serrana (SP), mas o caso foi arquivado. Ainda tramitam contra o ex-médico outros dois processos de pacientes que o acusam de erros em cirurgias plásticas.