27 de janeiro de 2022
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ASSÉDIO SEXUAL | BELÉM (PA)

"Vai querer ser estuprada no seco?", diz professor de Medicina em aula; vídeo

Docente pergunta se aluna levaria 'KY' para uma ocasião em que ela fosse ser "estuprada"

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Um vídeo revolta internautas na noite desta quinta-feira (25.nov.21). Nele, um professor de medicina questiona uma aluna durante uma aula prática perguntando a acadêmica se ela gostaria de usar lubrificante quando fosse estuprada ou se preferia "no seco mesmo". (veja o vídeo abaixo). 

O professor é docente do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz) e da Universidade do Estado do Pará (Uepa), instituições com sede em Belém, no Pará. 

A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (26.nov.21) que investiga o caso como importunação sexual e o Conselho de Medicina instaurou um procedimento administrativo.

A declaração foi feita enquanto uma aluna treinava a prática de intubação em um centro universitário de Belém. O professor questionou se ela passou lubrificante no material antes de inserir pela boca do boneco. Ela respondeu que não.

“Quando a senhora for ser estuprada, quero ver se a senhora vai levar o vidrinho de KY para facilitar a vida ,ou vai preferir no seco mesmo”?, disse o professor em frente a outros alunos e alunas que acompanhavam o procedimento feito pela colega de turma. A situação ocorreu em uma aula em 17 de novembro, mas um vídeo com um trecho da aula repercutiu nas redes sociais na quinta-feira (25). Veja o vídeo: 

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Já o Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) informou que "efetivou as medidas legais previstas, instaurando o competente procedimento administrativo".

Após a repercussão, o Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz), onde a aula era ministrada, se manifestou em nota. O centro informou que "adotou todas as providências cabíveis e procedimentos administrativos para apurar os fatos, por meio do Comitê de Ética Disciplinar".

"O UNIFAMAZ reafirma seu compromisso com o ensino de qualidade, pautados no respeito humano e na integridade pessoal. Dessa forma, repudia veemente qualquer prática inadequada na relação acadêmica professor-aluno", ainda diz a nota.

O caso foi denunciado pelo perfil no Twitter tantotupiassu. O dono do tuíte conversou com a reportagem do Metrópoles e afirmou que a denúncia foi realizada anonimamente por uma pessoa que pediu para ter o nome resguardado.

O professor não teria comparecido à faculdade para ministrar aulas nesta sexta (26.nov), porém o centro universitário não confirmou se o docente foi ou será afastado.

COLETIVO

As imagens causaram revolta em estudantes da faculdade, principalmente entre as mulheres, que se sentiram atingidas indiretamente com o caso. Nesta sexta-feira, um protesto é realizado por alunas.

"Nós enquanto alunas e indiretamente vítimas desse caso, exigimos a responsabilização do docente e o comprometimento da instituição na prevenção da violência de gênero", diz Brenda Silva Lisboa Alves, aluna do 4º semestre de medicina e integrante do coletivo de mulheres estudantes.

Após o ocorrido, mulheres estudantes da instituição se mobilizaram e houve uma criação espontânea de um coletivo para acompanhar o caso e cobrar medidas da faculdade. "Para mostrar que não aceitamos a cultura do estupro dentro da instituição que estamos inseridas", informaram as alunas.