20 de abril de 2021
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INTERIOR | RIBAS DO RIO PARDO

Comerciante nega venda de carne estragada e acusa perseguição de delegado

Açougue Bozza, no município de Ribas do Rio Pardo, foi alvo da Vigilância; comerciante há 6 anos diz que delegado tomou frente, mudando o curso real do ocorrido; delegado diz que somente acompanhou por pedido de fiscais

O comerciante Rildo Nunes Bozza, de 30 anos, dono do Açougue Bozza, de Ribas do Rio Pardo (MS), que havia sido preso dia 9 de fevereiro, depois de ser flagrado com revólver calibre 38, sem registro de porte, foi solto no dia seguinte, 4ª-feira (10.fev.21) após pagar fiança de R$ 5,5 mil. Apesar de entender sua condução pelo porte da arma, Rildo nega que estaria vendendo produtos estragados em seu comércio e diz que o delegado de Polícia Civil Bruno Santacatharina Carvalho, já vem a algum tempo perseguindo ele e seus familiares. 

— A gente já teve problemas com ele. Meu pai teve problema com ele... o delegado entrou para dentro da minha casa sem a permissão de ninguém, sem mandado, sem nada. Minha casa está nos fundos, ele não podia ter entrado. O revólver era para minha proteção, nós já tínhamos sido assaltados, esse revólver era do meu tio, ele morreu ficou para mim... a coisa do revólver existe, agora sobre estar vendendo os produtos estragados não é verdade — rebateu Rildo.   

O Procon, Vigilância Sanitária, foi até o comércio de Rildo o orientando a descartar alguns produtos (isso no dia 8 de fevereiro). — Eu perguntei para a Fiscal o que tinha de errado, ela falou que era o toucinho de porco, que estava congelado e não poderia vender, nem o descongelar para a venda —, lembrou.  

Devido ao alerta, segundo Rildo, no dia seguinte ele colocou o freezer com os produtos ao sol, para descongelar e ser descartado, momento em que os fiscais retornaram, dessa vez com o delegado Polícia Civil Bruno Santacatharina que o questionou porque ainda estava com os produtos no freezer, Rildo diz que tentou explicar que descartaria mais tarde, mas na ocasião, não foi ouvido. — Tiramos e desligamos o freezer. A gente carrega na caminhonete e leva para o aterro sanitário. A caminhonete estava arrumando de manhã [dia 9 fevereiro], aí chegou carne para nós, eu falei — ‘vamos descarnar, depois jogamos aqueles do freezer e esses ossos fora’, nesse momento os fiscais retornaram com a polícia”, explicou.

— Te juro por Deus, a carne estava no meio do sol, eu jamais venderia algo naquela situação, só deixamos o freezer fechado para não juntar tanta mosca — argumentou.  

Segundo o comerciante, o delegado Bruno teria tomado a frente dando a entender de que estariam vendendo os produtos estragados. — Não sei porque dizem isso, o produto não estava exposto, não estava no local de vendas, iríamos jogar fora —, reforçou Rildo.

O trabalhador ainda destacou que o delegado desfilou pela rua da cidade o acompanhando. — Não foi a Vigilância, foi o delegado que tomou frente e fez esse ‘auê todo’. Ele me pegou aqui atravessou a avenida comigo desfilando, como se eu fosse o maior bandido de todos os tempos —, lamentou.

Procurado pela reportagem, Bruno Santacatharina disse que é natural o comerciante apresentar outra versão e disse que, sequer, o caso era da Polícia Civil. Alegou que foi até o comércio a pedido dos fiscais devido ao histórico de Rildo e sua família. — Os fiscais chegaram à delegacia dizendo que precisam ser acompanhados, apresentaram os laudos dizendo: nós temos toda essa fiscalização... É também lá é açougue que vende carne mais barata, há até uma brincadeira aí. Eu verifiquei e acompanhei —, introduziu. — Nós procedemos nas buscas no local, que não há separação entre o comércio e a casa do comerciante. A polícia já tinha informação de que Rildo e sua família tinham armas de fogo, inclusive, o pai dele foi flagrado há pouco tempo e arbitrado pelo mesmo crime —, disse.   

Ao entrar na casa de Rildo, nos fundos do comércio, o delegado encontrou o revólver calibre 38, sem registro, e munições de vários calibres: 16 (dezesseis) munições intactas, calibre 38; 03 (três) munições intactas, calibre 32; 12 (doze) munições intactas, calibre 22; 58 (cinquenta e oito) munições deflagradas.

A reportagem perguntou à Rildo o porquê de tantas munições em casa. Ele explicou que as munições eram também do tio falecido e estavam há bastante tempo no local, que algumas nem mesmo deveriam estar funcionando de tão antigas. — Já vieram junto com a arma, muitas das munições já estavam muito velhas, nem deveriam estar funcionando —, finalizou dizendo que o Procon do município relatou para ele, que houve excesso por parte do delegado.  

Rebatendo a fala de Rildo, Santacatharina explicou que na ocasião, segundo ele, mesmo não sendo necessário Mandado Judicial, a Polícia Civil teve autorização da mãe do comerciante para entrar na casa. — Se fosse pedir um mandado policial, ele já se encontrava em flagrante de delito, no mesmo local, nesses casos não é necessário o mandado. Apesar de não precisar, a polícia só entrou com a autorização da mãe do suspeito, que confessou que havia arma de herança no local, colaborando ao indicar o local, não tendo sido feito nem mesmo buscas no imóvel —, disse.

Rildo citou que há um grande comércio na avenida, o qual o comerciante "grande" fica destratando o seu comércio e segundo ele, sua família estaria arrumando o local para abrir uma churrascaria, o que pode ter levado a essa situação que ele caracteriza como perseguição. — Deixar minha mãe chorando indo preso foi a pior coisa que pode acontecer comigo, acabou comigo ver ela chorando sem pode fica ali para ajuda ela. Gente, eu errei sim, posso ter errado, mas não sou bandido, trabalho para caramba, só quero justiça. Se [a lei] é para mim e para todos. Só por trabalhar com um preço um pouco melhor estou sendo perseguido. Como hoje, um idiota dono de um mercado aí da Avenida quase em frente “Paneju” falou para um cliente meu: "Agora vai lá comprar carne barata" —, escreveu Rildo em um post feito ontem (10.fev) em seu Facebook.  

O açougue foi interditado em ação realizada pelo Procon, Vigilância Sanitária e Polícia Civil. O açougue continua fechado. A interdição é válida inicialmente por 15 dias.

Rildo responde pelo crime contra as relações de consumo e também por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e de munições.

De acordo com Rildo, os fiscais teriam a versão correta de como se deu os fatos, mas nenhum deles foi localizado. Um fiscal do órgão disse que iria avisar os demais e retornaria à reportagem, isso não ocorreu.   

O MS Notícias ligou ao Procon, que disse que quem poderia falar não se encontrava no órgão.  

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