26 de julho de 2021
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ANIVERSÁRIO | INTERIOR

Major que humilhou colega: "Você é um soldado bosta", foi aposentado por atirar em trem

Levado preso acusado de xingar e humilhar colegas de farda da Polícia Militar em Miranda, major tem cunhado ligado à deputado que acabou deixando a sua defesa

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O major aposentado da Polícia Militar (PM) Adão Cavaglieri, de 59 anos, preso enquanto comemorava o aniversário em casa, em Miranda, no último sábado (12.jun) passou por audiência de custódia hoje (14.jun) e ficará preso.

De acordo com apurado por nossa reportagem, Cavaglieri teria sido aposentado depois de atirar em uma composicao de trem que passava em frente a sua residência em Miranda. A decisão de aposentadoria saiu de Sindicancia Militar (IPM), onde constatou que o major foi o autor dos disparos.

Conforme apurado  pelo MS Notícias, Adão foi preso no sábado após xingar e humilhar colegas de farda da Polícia Militar. A defesa de Adão, assumida inicialmente pelo amigo, advogado e deputado estadual, Evander Vendramini – PP, negou tal situação e comunicou também que outro advogado acompanhou Adão na audiência nesta manhã. "Eu nem sei o que decidiram. Eu não estou em Campo Grande, foi outro advogado lá", explicou o deputado. 

A PRISÃO 

Segundo a PM, no sábado, Adão estava em casa numa aglomeração com cerca de 20 pessoas. A defesa disse, porém, que haviam 10 pessoas. “Ele foi levado preso pelo conjunto, isso é, a desobediência a medida restritiva e pela aglomeração”, esclareceu a PM. 

Confrontado pela aglomeração, o major teria reagido agressivamente dizendo para um dos militares: “Eu sou coronel da Polícia Militar, você é só um soldado de bosta, seu vagabundo”, diz o auto de prisão.   

Ainda de acordo com o auto, Adão confirmou que fazia festa em sua casa com aproximadamente 20 pessoas, todas sem máscaras e também disse que ninguém entraria em seu imóvel sem mandado. Orientado a cessar a aglomeração, o major teria se exaltado ainda mais. “Eu sou um coronel e você é só um soldado de bosta, seu vagabundo”, desferiu à um dos PMs, na sequência entrou no imóvel.

A PM diz que então permaneceu em frente a casa. Pouco depois o major aposentado voltou ainda nervoso. “Eu sou um coronel da PM. Isso é um desrespeito, seu filho da puta. Vai tomar no c...", diz o relatório da guarnição que atendeu a ocorrência de perturbação de sossego e som alto.

Diante das ofensas, os PMs comunicaram o fato ao Oficial de Dia, momento em que, segundo relatam, o major foi até um veículo, pegou uma arma e ameaçou os colegas de profissão. “Agora eu também estou armado, se chegar no meu portão eu vou meter bala, porque eu tô louco”, teria avisado.

Na sequência, a equipe ameaçada foi orientada a deixar o local. Pouco depois, um tenente retornou e deu voz de prisão ao major, que por fim, se entregou com arma e 11 munições intactas, sem reagir.   

ASSESSOR E AMIZADA POLÍTICA

Ontem o MS Notícias foi informado que Adão teria sido levado à uma cela em Aquidauana, mas hoje (14.jun) a PM esclareceu que, na verdade, o policial aposentado foi para o Presídio Militar de Campo Grande, onde hoje cedo passou por audiência de custódia e teve a prisão decretada pelo juiz Alexandre Antunes da Silva. O major foi autuado por desacato, ameaça e por infringir medida sanitária preventiva.

Apesar de o deputado ter entrado inicialmente na defesa de Adão, hoje um outro advogado assumiu a defesa. Falamos com o cunhado de Adão, o assessor de gabinete parlamen tar de Vendramini, Duty Jesus Franca Paiva, conhecido pelo apelido de Dutynho Paiva, que ficou de nos passar o contato do novo advogado, mas até o fechamento da reportagem não o fez.  

No domingo (1 dia após a festa), quando a reportagem falou com o deputado Vendramini, ele disse que a PM poderia ter criado a situação por questões políticas, também argumentou que o amigo, major aposentado, teria "conduta ilibada". Hoje, quando perguntado se tinha conhecimento sobre o motivo da aposentadoria de Adão, o deputado apenas disse que não tinha conhecimento de que ele havia atirado na composição do trem.