29 de outubro de 2020
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Migração de operários em busca de melhores salários faz construção civil crescer em Três Lagoas

Ele está há cerca de um ano e meio em Três Lagoas, oriundo da cidade de Iaçu, na Bahia. Veio, junto com dois irmãos, dois tios e quatro primos, em busca de emprego e, o mais atraente, melhores salários. Menildo Gomes, 23 anos, solteiro, é mais um operário da região Nordeste do país da leva de trabalhadores baianos que aqui aportaram desde que o boom de desenvolvimento se enraizou na região, a partir da instalação de fábricas de papel e celulose em Três Lagoas.

A história de Menildo resume o que aconteceu e ainda segue ocorrendo na região. Turmas de operários, imigrantes de várias partes do Brasil, por falta de emprego em suas regiões e de mão de obra local, para Três Lagoas vieram com intuito de melhores ganhos. Segundo o pedreiro, em sua terra natal – Iaçu/BA -, assim como em todo o estado, as condições de trabalho e a maior oferta de mão de obra do que o mercado suporta são bem aquém das necessidades do trabalhador.

Embora tenha vindo para compor o quadro de trabalhadores convocados para as indústrias, Menildo preferiu trabalhar por conta própria, mesmo sendo contratado por outra pessoa. “Aqui eu ganho. no mínimo, 50% mais que na Bahia”, avaliou Menildo, colocando a afirmação em números: na Bahia, a diária de um pedreiro é de R$ 60. “Aqui, não sai por menos de R$ 120 e assim mesmo dependendo da obra”, observou.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o salário básico de um pedreiro baiano é de R$ 1.212,27, enquanto que em Mato Grosso do Sul o vencimento é pouco maior: R$ 1.235,55 (comparações salariais referentes ao mês de fevereiro de 2014). “Mas, nessa conta não está o pessoal que está desempregado; é muito grande, pois não tem obra para abrigar todo mundo”, conferiu Menildo.

Simpático e conversador, Menildo Gomes traduz o espírito alegre e extrovertido do povo da Bahia. “Baiano é trabalhador; não é bandido, não”, diz ao se referir a comentários surgidos desde a época em que milhares de operários, a maioria oriunda da região nordeste, vieram para Três Lagoas.
Passado o desabafo, ele torna a falar sobre a oportunidade que teve de conseguir emprego e salário melhor. “Lá (Iaçu), eu carpia mato e ajudava em alguma obra; não ganhava mais que uns R$ 700. Aqui [na reforma que está fazendo em uma casa no bairro Vila Nova], tiro R$ 150, por dia, o que no final do mês fica em torno de R$ 3 mil”, contabiliza Menildo. “No início mandava algum [dinheiro] para ajudar ‘maínha’ e ‘paínho’, mas agora eles estão aposentados. Então, vou juntar e procurar uma noiva”, gracejou. Esforçado, está estudando “prá melhorar de vida” – faz o 4° e 5° anos do ensino fundamental, através do EJA (Educação de Jovens e Adultos).
De acordo com o Caged, em fevereiro deste ano foram contratados 1.672 trabalhadores e demitidos 1.123 na construção civil, em Três Lagoas. Em 12 meses, as contratações somaram 12.604 operários, contra 8.113 desligamentos. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), Amarildo Miranda Melo, o processo migratório que se registra no Estado é pontual, sendo verificado principalmente em Três Lagoas e Água Clara, polos de oferta de empregos no setor. Nas contas de Melo, em Campo Grande um empregado do setor admitido tem salário médio de R$ 1.026,20, enquanto que em Três Lagoas ele vai receber R$ 1.838,51. “Em alguns pontos específicos do Estado, realmente, as oportunidades estão maiores porque tem mais investimentos”, observou Amarildo, para quem a previsão para este ano é que o setor mantenha a média de crescimento anual de 3,5% em relação a 2013. “O déficit da mão de obra no mercado e melhores salários são sem dúvida os grandes atrativos para essa migração”, concluiu Melo. Perfil News