19 de janeiro de 2021
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Sidrolândia: rejeição de projeto adia sonho de casa própria 2015 e revolta moradores

O radicalismo da oposição que na sessão da última segunda-feira manobrou para rejeitar o projeto que desafeta 4 mil metros quadrados no Jardim Paraíso para a construção de 17 casas populares remanescentes do Residencial Altos da Figueira, adiou pelo menos para 2015 o sonho da casa própria destas e de outras 33 famílias contempladas.

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Os beneficiados estão revoltados e não conseguem entender o posicionamento dos vereadores. “É um absurdo o que estão fazendo com a gente. Esperamos por estas casas há três anos e até agora ninguém dá uma resposta”, desabafa Marciléia Dias, mãe de três filhos, chefe de família que sobrevive com o salário de R$ 730,00 como funcionária de um hotel. “Pago R$ 400,00 pelo aluguel da casa no Bairro São Bento, onde moro. Esperava que ainda este ano mudasse para minha casinha”, informa.

Segundo o coordenador municipal de Habitação, Lo Lun Paul, por orientação da Agência Estadual de Habitação (Agehab) embora 33 casas já estejam na fase de acabamento, os futuros mutuários só poderão receber suas moradias quando todas as 50 unidades estiverem prontas. A Agehab cobrou uma nova área para 17 casas e vetou a construção no Altos da Figueira porque nesta parcela do terreno há uma cratera que impede fazer qualquer edificação com segurança.

Diante do alto custo de terrenos na área urbana (em torno de R$ 110 mil por hectare) a prefeitura teve de recorrer a esta área pública de 7,2 hectares no Jardim Paraíso onde, além das casas, planejava construir uma escola e destinar à Sanesul 1,1 mil metros quadrados para perfurar um poço de elevação. O projeto de desafetação foi aprovado por 6 votos a 5, resultado que na prática significou sua rejeição porque a proposta exige maioria absoluta (7 dos 13 votos).

Revolta e indignação

Alheios aos embates políticos e firulas regimentais do Legislativo, alguns dos contemplados com as 50 casas do Altos da Figueira mostram indignação. “Nem me lembro há quantos  anos me inscrevi. Fui contemplada em 2012 e depois que assinei o contrato pensei que era uma questão de tempo, receber a casa”, desabafa Angela Maria Oliveira. Ela, o marido (desempregado sobrevivendo de bicos) e os dois filhos com uma renda de R$ 730,00, comprometem R$ 400,00 com o pagamento no aluguel de uma casa no Jardim Paraíso.

Mais dramática é a situação da aposentada Ediverges Alves, 68 anos, que reserva R$ 270,00 da sua aposentadoria (ganha R$ 724,00) para pagar a casa onde mora na Rua Leôncio Souza Brito, no Bairro São Bento. “Moro há 30 anos em Sidrolândia e sempre paguei aluguel”, revela. Ela trabalhou como bóia- fria até se aposentar por invalidez.

Dona Fátima Soares, é outra “vítima” involuntária da rejeição do projeto de desafetação. Ela aguarda há 10 anos por uma casa dos projetos habitacionais da Prefeitura. Por seis anos morou numa área verde na Rua Diogo Cunha, mas teve de sair de lá para abertura do prolongamento da rua de acessão ao Residencial Altos da Figueira.

Na época, em 2012, a promessa era de que a Prefeitura pagaria seu aluguel enquanto o conjunto habitacional não ficasse pronto. A promessa (de pagamento do aluguel) só durou seis meses e desde então, paga R$ 350,00 por uma casa na Rua Espírito Santo. Um valor alto considerando que tem renda em torno de R$ 800,00.

Vereadores que votaram contra a destinação da área para habitação: David Olindo, Mauricio Anache, Marcos Roberto, Nélio Paim, Edivaldo dos Santos "Vadinho".

Vereadores favoráveis ao projeto: Drª Rosangela Rodrigues, Chester Hortêncio, Waldemar Acosta, Sergio Bolzan, Vilma Felini, Cledinaldo Cotócio. Drª Jurandir Cândido está de licença saúde e o vereador Ilson Peres, por presidir a Câmara, só vota em caso de empate.

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