22 de junho de 2021
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Dourados

Transplantados estão sem medicamento e temem perdem rins

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Cerca de 45 transplantados de rins em Dourados e região estão sem o medicamento Ciclosporina 50 mg, indicado para o tratamento contra a rejeição do órgão. A informação é do presidente da Associação dos Renais Crônicos de Dourados (Renasul), José Feliciano Paiva. Segundo ele, desde o mês passado o medicamento não chega ao Núcleo Regional de Saúde que é o responsável pela distribuição. A alegação do setor é de atraso por parte dos fornecedores.

Enquanto o impasse não é resolvido, os pacientes correm o risco diário de perder o rim. “Estamos pedindo socorro as autoridades porque sem o medicamento podemos voltar para a triste rotina da hemodiálise, e pior, perder a vida”, lamenta.

Feliciano diz que não é fácil substituir o medicamento em falta porque as consultas ocorrem em Campo Grande. “Existe uma burocracia grande para conseguir passagens e ca das passagens, o que é desanimador. Cada laudo tem validade de 90 dias, então temos que aguardar este prazo vencer para nova consulta”, destaca.

Feliciano considera o fato um desrespeito com os pacientes. “Ninguém se mobiliza para ajudar os pacientes renais crônicos e transplantados no Estado”, destaca.

Crise

De acordo com Feliciano, a paralisação de um ano no serviço de transplantes também castiga os mais de 400 pacientes que estão na fila em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, apesar da Santa casa estar anunciando a retomada do serviço, as filas não andam.

Enquanto isso pacientes que precisam de um transplante ‘amargam’ à espera. Em Dourados, mais de 50 pacientes (até o final do ano passado) estavam cadastrados e prontos para o transplante em doador cadáver, mas não têm previsão de quando poderão realizar a cirurgia.

Se esta espera é angustiante para estes pacientes, é ainda mais frustrante para quem tem doador vivo. Isto porque os pacientes enfrentam verdadeiro “calvário” para conseguir tratamento fora. Na busca pela vida, pacientes de Dourados acabam sendo sendo “exportados” para São Paulo com a finalidade de realizarem os procedimentos clínicos para transplantes. Alguns deles com doador vivo. O problema é que a assistência prestada pelo Estado é limitada e os pacientes precisam arcar com altas despesas devido à locomoção.

Em Dourados, segundo a Clínica do Rim, ocorreram 45 mortes de renais crônicos em 2014. Destes, seis estavam inscritos na fila do transplantes, sete tinham termo de responsabilidade de negação (possíveis recusas por medo), 21 pacientes eram contra indicados para o transplante por complicações de outras doenças e 11 pacientes estavam no início do tratamento.

Santa Casa

A Santa Casa anunciou, no última 12, em Campo Grande, a volta dos transplantes de rim. Após uma reavaliação da Comissão Nacional de Transplantes, o hospital está pronto para fazer as cirurgias. Ainda segundo o órgão, o Ministério da Saúde autorizou esta retomada em julho de 2014, porém a direção disse que inicia os transplantes assim que houver a disponibilidade de órgãos doados.

Segundo o diretor-presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, o primeiro transplante vai ocorrer no momento em que o primeiro órgão estiver disponível. Ele ressaltou que há pouco mais de um ano houve a suspensão desses procedimentos, em entrevista ao G1/MS.