22 de junho de 2021
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Avião fez rota correta, diz órgão que investiga acidente da França

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O diretor do BEA (Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'aviation civile), Remi Jouty, afirmou nesta quarta-feira (25), em Paris, que o avião que caiu ontem nos Alpes franceses com 150 pessoas a bordo fez a rota correta e prevista originalmente antes da queda na região de montanhas.

Em uma apresentação feita a jornalistas para detalhar a investigação, Jouty disse: "Não temos explicação ou interpretação para o que levou o avião a descer e continuar descendo [até a queda]".

De acordo com ele, a última mensagem registrada pela torre de controle ocorreu às 9h30 (no horário local), uma mensagem de rotina, confirmando a instrução fornecida pelos controladores de voo. Às 9h40 foi registrada a última posição da aeronave no radar, a 6.175 pés de altitude.

"O radar seguiu a aeronave até o momento da queda", afirmou o diretor do BEA.

O dispositivo que grava sons durante o voo foi encontrado ontem, às 17h locais, e encaminhado à perícia do instituto francês, onde foi possível extrair, apesar de dificuldades, o arquivo de áudio que pode ser usado na investigação. 

"Ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre o que aconteceu", disse Jouty. A análise do conteúdo da caixa-preta pode levar "várias semanas e até vários meses".

O trabalho de investigação das causas do acidente está dividido em três etapas, de acordo com o diretor do BEA. Com a participação de conselheiros técnicos de várias companhias e da comissão espanhola Ciaiac (Comisión de Investigación de Accidentes e Incidentes de Aviación Civil), as frentes de trabalho estão assim divididas:

- uma equipe atua nas condições da aeronave e seu histórico;

- o segundo time apura informações sobre o funcionamento e a utilização de sistemas a bordo e em terra;

- e o terceiro grupo trabalha em detalhes sobre como o avião foi operado.

Como já afirmado anteriormente por quem trabalha nas ações de resgate, o local onde o Airbus 320 da Germanwings caiu é considerado de difícil acesso. "Muito íngreme, instável, não é possível ir caminhando", disse Jouty, lembrando que alguns dos especialistas da Airbus que acompanham os investigadores do BEA foram levados ao local de helicóptero.

"O impacto da aeronave aconteceu em velocidade muito alta, nas laterais da montanha", afirmou.

Condolências e solidariedade entre líderes europeus

Com palavras de solidariedade aos parentes dos 150 ocupantes do voo 4U9525 da Germanwings, François Hollande (presidente da França), Angela Merkel (chanceler da Alemanha) e Mariano Rajoy (primeiro-ministro da Espanha) fizeram rápidos pronunciamentos, juntos, em Seyne-les-Alpes, vilarejo próximo ao local da queda do Airbus 320, no fim da tarde desta quarta-feira (horário local).

Os líderes europeus disseram que o possível será feito para identificar e esclarecer o que levou o avião a perder altitude e cair, ontem, nas montanhas dos Alpes franceses.

"Nós nos curvamos diante da memória de todas as vítimas. (...) É bom sentir que nós estamos unidos em um momento tão difícil", afirmou Merkel.

"Queremos estar com vocês em sua dor, sabemos que não será fácil. Queremos identificar as vítimas, enviá-las para casa, vamos trabalhar juntos", disse Rajoy.

O avião da Germanwings partiu de Barcelona (Espanha) e tinha como destino final a cidade de Dusseldorf (Alemanha). Das 150 pessoas a bordo, 144 eram passageiros e seis eram tripulantes; a maioria tinha nacionalidade alemã ou espanhola. 

O presidente francês chegou a afirmar que já havia sido encontrada a carcaça da segunda caixa-preta do avião, informação que não foi confirmada ainda pelo diretor do BEA, Remy Jouti.