18 de abril de 2021
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Belo Monte

Deleção de Andrade revela que R$ 150 milhões seriam para PT e PMDB

Cerca de R$ 150 milhões foi pago em propina na obra Usina Hidrelétrica de Belo Monte é o que aponta a delação premiada dos executivos da Andrade Gutierrez. O valor é referente a um acerto de 1% sobre contratos. O dinheiro teria como destino o PT e o PMDB e agentes públicos ligados às legendas.

Segundo o jornal O Estadão, Andrade Gutierrez teve papel central na formação dos consórcios que atuaram nas obras de Belo Monte. Também participaram das obras, a Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Queroz Galvão.

Ainda conforme o jornal, 10 empresas faziam parte dessa sociedade para execução dos serviços de construção da unidade. Cada empreiteira ficou responsável pelo pagamento de um percentual relativo a fatia de obras controlada por ela. 

O leilão foi realizado em 2010 para construção e operação  de Belo Monte, mas as obras foram fechadas em 2011. Dois consórcios disputaram o leilão da usina: o vencedor Norte Energia, formado por Chesf, Queiroz Galvão, OAS, Mendes JR e entre outras, e o derrotado Belo Monte Energia, que tinha como sócios as estatais Furnas e Eletrosul, e a empreiteira Andrade Gutierrez.

Segundo o jornal, a delação de executivos da Camargo Corrêa já havia apontado propina de 1% na Usina de Belo Monte. A partir dessas revelações, a Java Jato obteve confirmação da Andrade Gutierrez, que liderava do ‘consórcio da propina’.

Flavio David Barra, da Andrade Gutierrez, foi um dos principais interlocutores das empresas do consórcio na formação desse pool para pagamento de propina. As obras foram dividas em duas etapas: o leilão de concessão para operação da usina e a realização das obras.

A delação dos executivos da Andrade, entre eles seu presidente afastado Otávio Marques de Azevedo, foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).  A colaboração premiada da Andrade detalha ainda o papel do irmão do ex-ministro Antonio Palocci, Adhemar Palocci Filho, conhecido como Palocinho, no recebimento dessa propina.

Os delatores também vão confirmar, os termos que estão sendo montados o repasse de doações oficiais que teriam ocultado valores de propina, inclusive para campanha da presidente Dilma Rousseff.

Otávio Marques de Azevedo é o terceiro empreiteiro a confirmar à Lava Jato que repasses oficiais e legais para partidos e políticos serviam para lavar dinheiro desviado de obras públicas. Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, e Augusto Mendonça, do grupo Setal, já haviam confessado em sua delações a prática.

Palocci

De acordo com O Estadão, Antonio Palocci negou ter participado de qualquer negociação envolvendo a montagem do consórcio da obra de Belo Monte. Também afirmou ser totalmente mentirosa qualquer insinuação de que teria solicitado contrapartida financeira para beneficiar partidos políticos.