12 de junho de 2021
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Biodiversidade

Estudo inédito revela que Amazônia tem 14 mil plantas com sementes

Desse total, 6,7 mil são árvores. Levantamento foi encabeçado por cientistas brasileiros e escoceses

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Um levantamento realizado em coleções de herbários e museus por uma equipe de 44 cientistas do Brasil, Europa e Estados Unidos revela que a Amazônia abriga 14 mil espécies de plantas com sementes. Desse total, 6,7 mil são árvores. O resultado do estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNSA), periódico oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

“A lista abrange a Floresta Amazônica em toda a sua extensão, incluindo áreas de outros países, além do Brasil. Essa lista traz uma noção realista da riqueza florística conhecida da Amazônia e pode ser útil para subsidiar estimativas de forma mais precisa”, afirma o pesquisador Pedro Lage Viana, que participou do estudo.

Curador do Herbário do Museu Paraense Emilio Goeldi, Viana lembra que estudos sobre a origem, evolução e ecologia da Amazônia têm sido limitados pela falta de informações básicas confiáveis, como a composição de espécies da flora.

“A coleção botânica do Museu Goeldi é um dos mais importantes repositórios dessas informações sobre a flora da região e foi fundamental para a realização desse estudo”, explica Viana.

Parceria internacional

O trabalho foi liderado pelos pesquisadores Domingos Silva Cardoso, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Tiina Särkinen, do Jardim Botânico Real de Edimburgo, na Escócia. Dos 44 cientistas envolvidos, 26 são brasileiros.

Segundo os autores, um dos diferenciais do estudo foi o uso de informações taxonômicas atualizadas, verificadas por centenas de especialistas do mundo todo durante a produção de catálogos de espécies de plantas nacionais, como o Flora do Brasil 2020.

Os autores ressaltam que a publicação da lista não significa que a flora amazônica já esteja completamente conhecida. Muitas novas espécies de plantas são descobertas todos os anos, tanto em campo como em herbários e museus, e grande parte da região continua pouco conhecida ou mesmo inexplorada.