22 de junho de 2021
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Irada, Marta detona PT, Dilma, Rui e Mercadante

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A ex-prefeita e ex-ministra Marta Suplicy dinamitou de vez suas pontes com o PT. Em entrevista à jornalista Eliane Cantanhêde ela criticou a presidente Dilma Rousseff, o presidente da legenda Rui Falcão, o ministro Aloizio Mercadante e até mesmo o ex-presidente Lula, que não teria tido coragem de se impor em 2014.

Marta conta que, em meados de 2013, começou a organizar o movimento 'Volta, Lula', num jantar em sua casa, com figurões do empresariado. "Eles fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E ele não se fez de rogado, entrou nas críticas, disse que era isso mesmo. Naquele jeito do Lula, né? Quando o jantar acabou, todos estavam satisfeitíssimos com ele", disse ela.

Segundo a ex-prefeita, Lula criticava Dilma abertamente. "Ninguém falou claramente, mas todo mundo saiu dali com a convicção de que ele era, sim, o candidato. Nunca admitiu, mas decepava ela: 'Não ouve, não adianta falar'", diz Marta. Ela afirma, ainda, que ele não teve disposição de enfrentar a presidente Dilma. "Ele é um grande estadista, mas não quis enfrentar a Dilma. Pode ser da personalidade dele não ir para um enfrentamento direto, ou porque achou que geraria uma tal disputa que os dois iriam perder."

Marta também defendeu a autonomia da equipe econômica, mas se mostrou descrente. "Vai depender de a Dilma respeitar a independência da equipe. Se não respeitar, vai ser desastroso. Agora, é preciso ter humildade e a forma de reconhecer os erros a esta altura é deixar a equipe trabalhar. Mas ela não reconheceu na campanha, não reconheceu no discurso de posse. Como que ela pode fazer agora?"

"Inimigo" e "traidor"

Os piores adjetivos foram reservados para o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e para o presidente do PT, Rui Falcão. "O Mercadante é inimigo, o Rui traiu o partido e o projeto do PT, e o partido se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o País, mesmo sabendo as limitações da Dilma. Já no primeiro dia, vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos do Lula. O Gilberto Carvalho é o mais óbvio", diz ela.

Marta também afirmou que Lula será novamente escanteado em 2018. "Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato. Ele é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana para barrar Lula", diz ela, prevendo ainda que o chefe da Casa Civil dificilmente vencerá. "Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas. Mas ele já era o homem forte do governo. Logo, todas as trapalhadas que ocorreram antes ocorrem agora e ocorrerão depois terão a digital dele."

"Desmandos" no PT

Marta também criticou o que chamou de "desmandos" do PT, sinalizando que irá se abrigar em outra sigla para disputar a prefeitura de São Paulo, em 2016. "Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas. É um partido cada vez mais isolado, que luta pela manutenção no poder. E, se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada."

Segundo ela, "ou o PT muda ou acaba".

Brasil 247