18 de abril de 2021
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JUCÁ DEVE SER A PRIMEIRA BAIXA NO GOVERNO TEMER

O presidente interino Michel Temer deve confirmar, nas próximas horas, a primeira demissão de seu governo provisório; flagrado em gravações impróprias, em que discutia como deter a Lava Jato, Romero Jucá deve ser defenestrado do Planejamento; investigado na operação, Jucá já teve pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal deferidos pelo Supremo Tribunal Federal; sua queda será um duro revés para Temer, uma vez que Jucá, especialista em orçamento, teria papel decisivo na aprovação da nova meta fiscal; Jucá também deixou claro que o impeachment foi uma tentativa da elite política de conter os danos causados pela Lava Jato; "Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", afirmou

 A primeira crise do governo interino de Michel Temer tem nome e sobrenome: Romero Jucá. Senador por Roraima e agora ministro do Planejamento, Jucá deve ser demitido nas próximas horas.

Isso porque, em gravações divulgadas nesta segunda-feira (23), ele indica que o impeachment foi uma espécie de pacto da elite política para tentar conter a Lava Jato. "Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", disse ele, num diálogo com Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Como Temer já manifestou publicamente seu apoio à Lava Jato, ele não tem saída, a não ser demitir Jucá. Até porque a gravação não é o único motivo. O ministro é também investigado na operação e já teve a quebra de seus sigilos bancário e fiscal autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo o jornalista Josias de Souza, Jucá virou demissão esperando para acontecer. "Michel Temer não se deu conta. Mas, ao acomodar Romero Jucá na Esplanada, nomeou um ministro com prazo de validade vencido. Trazida à luz pelo repórter Rubens Valente, a gravação que reproduz os diálogos vadios de Jucá com o correligionário Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, faz do ministro do Planejamento uma demissão incontornável, esperando para acontecer", disse ele.

"A percepção de que o roubo de verbas públicas passou a dar cadeia no Brasil apavora a clientela da Lava Jato. A ideia de que um acordão pode sufocar a força-tarefa que esfrega a lei na cara da oligarquia parece inviável. Michel Temer tem duas alternativas: ou se livra de Jucá ou reforçará a tese segundo a qual em política nada se perde, nada se transforma, tudo se corrompe", afirma ainda o colunista.