13 de abril de 2021
Campo Grande 33º 21º

GOLPE MILITAR

Morre a jovem que foi baleada na cabeça durante protesto em Mianmar

Mya Thwate Thwate Khaing foi atingida na nuca por uma bala, enquanto estava de costas para a polícia

Morreu nesta 6ª feira (19.fev.2021) a jovem manifestante que foi ferida por uma bala na semana passada durante os protestos em Mianmar. Segundo informações da Folhapress, Mya Thwate Thwate Khaing foi baleada na cabeça no dia 9 de fevereiro e estava internada em estado crítico na capital do país, Naypyitaw. Ela completou 20 anos na quinta-feira (11.fev.2021), dois dias após ser baleada. 

Um dia após a tomada militar em Mianmar, em 1º de fevereiro, Mya foi atingida na nuca por uma bala enquanto estava de costas para a polícia e, após ser socorrida médicos já esperavam que ela não sobreviveria. Ela foi a primeira morte de manifestante devido à violência exercida pelas forças de segurança durante os protestos contra o golpe de estado.

Apuração de veículos internacionais de notícias apontou que Mya Thwate Thwate Khaing trabalhava em uma mercearia, foi baleada quando tentava sair da linha de frente de uma manifestação que estava sendo interrompida com canhões de água pela polícia. Os confrontos começaram quando as forças de segurança dispararam balas de borracha contra os manifestantes.

Segundo informações, para a Agence France-Presse (AFP), os médicos do hospital da cidade revelaram que pelo menos duas pessoas ficaram gravemente feridas por balas, uma delas a jovem que morreu hoje.

No país, Zaw Min Tun é porta-voz militar, agora vice-ministro da Informação, e confirmou que Mya foi vítima de tiros e garantiu que as autoridades investigam o caso.

Após o incidente Mya rapidamente se tornou um símbolo de resistência dos manifestantes. Eles exigem a libertação da ex-chefe do governo civil Aung San Suu Kyi, o fim da ditadura e a revogação da Constituição de 2008, que no país é considerada como favorável ao Exército.

SITUAÇÃO DO PAÍS

Dados do escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que mais de 350 pessoas, incluindo funcionários, ativistas e monges, foram presas desde o golpe em 1º de fevereiro, sendo que alguns ainda enfrentam acusações criminais.

Foi sob a liderança do general Min Aung Hlaing que os militares aplicaram o golpe no país. O líder e outros comandantes estão sob sanções desde 2019, ligados ao massacre da minoria muçulmana rohingya.

Essa atual junta que comanda o país atualmente proibiu reuniões de mais de cinco pessoas em várias regiões e estabeleceu um toque de recolher das 20h às 4h em Rangoon e Mandalay, as duas maiores cidades do país. Tudo isso depois de prender toda a cúpula do governo civil -incluindo a conselheira de Estado Aung San Suu Kyi e o presidente Win Myint.

Eles alegam fraude nas eleições realizadas em novembro, onde a Liga Nacional para a Democracia (LND), partido de Suu Kyi, venceu por ampla maioria. No poder, os militares declararam um estado de emergência, estipulado para durar um ano. Entretanto, o próprio Hlaing afirmou que pode continuar no poder após esse período para coordenar a realização de um novo pleito.

Leia também

• Derrotados nas urnas, militares dão golpe em Mianmar com acusações 'estilo Trump'

• Militares de Mianmar massacram povo que luta pela democracia; veja os vídeos