05 de dezembro de 2021
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TRABALHADORES SEM TERRA

MST é premiado fora do país, enquanto famílias são ameaçadas a tiros no Brasil

Assentados integrantes do Movimento são alvos de pistoleiros que intimidam os produtores no Tocantins

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Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST vive realidades distintas dentro e fora do país, com prêmio internacional pela atuação na garantia de condições dignas de vida e de trabalho para a população brasileira, enquanto que, no Brasil, famílias agricultoras e o próprio movimento são vistos por alguns com maus olhos e recebem ameaças. 

Mesmo com dois boletins de ocorrência registrados pelos acampados, segundo coordenação regional do MST, nenhuma autoridade da segurança pública - nem do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - visitou o local para coletar vestígios de munição ou conversar com as famílias, segundo informações do portal Brasil de Fato. 

Há cerca de cinco dias, pistoleiros - chamados jagunços - ameaçavam famílias que vivem e trabalham no Acampamento Dom Celso (Porto Nacional - TO).  Tiros, que não deixaram nenhum ferido, foram disparados na região do acampamento, contra pessoas que estavam no local. “As famílias seguem no aguardo de um posicionamento, principalmente por parte do Incra. Não sabemos se a Polícia Civil de Porto Nacional vai investigar a tentativa de homicídio, os disparos de armas de fogo que foram feitos contra crianças, mulheres e adultos que estavam no local”, revelou o dirigente do MST na região, Antônio Marcos Bandeira.

O acampamento atacado existe desde 2015, quando mudaram para lá 90 famílias, para produzir alimentos em lotes desocupados e reivindicar o assentamento. Conforme apuração do BdF, houve uma ação de despejo em 2018, mas uma parte do grupo ocupou novamente um lote vizinho, aguardando que o Incra destinasse a área para reforma agrária.

RECONHECIMENTO

Diferente desse cenário de conflito, o MST recebe na 6ª feira (22.out.2021) o prêmio Esther Busser Memorial Prize, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), conforme adiantou o jornalista Jamil Chade na manhã de hoje (20.out.2021). Acerimônia acontece de forma virtual, a partir das 8h de 6ª feira (22.out.2021) e, além do MST, outras quatro entidades serão homenageadas.

Conforme o movimento disse ao colunista do UOL, o MST seguiu atuando com iniciativas solidárias mesmo durante a pandemia. "Doou mais de 5 mil toneladas de alimentos e cerca de 1 milhão de marmitas. A partir do Plano Nacional 'Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis', o movimento já plantou mais de 1 milhão de árvores em todo país e, no último mês, construiu mais de 100 viveiros da Reforma Agrária Popular, com o objetivo de impulsionar a produção de mudas e plantio de arvores"

Fundado em 1984, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra contabiliza cerca de 350 mil famílias assentadas em 24 estados. O MST é um movimento que promove a reforma agrária no país, através da ocupação de terras paradas, latifúndios improdutivos e fazendas que promovem trabalho escravo. Aposta ainda na soberania alimentar, na produção de comida sem veneno e no respeito ao meio ambiente, por meio da agroecologia.