20 de junho de 2021
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CONFLITO DIPLOMÁTICO

'Não temos matéria-prima para continuar a produção', diz Dimas Covas sobre Coronavac

Instituto Butantan espera entrega de 10 mil litros de Ingrediente Farmacêutico Ativo, "presos" graças às críticas de Bolsonaro à China

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No momento da pandemia em que o Brasil registrou 2.340 mortes em 24 horas - totalizando 430.596 óbitos por Covid-19 -, a produção do imunizante CoronaVac pelo Instituto Butantan está totalmente paralisada por falta dos insumos necessários, vindos da China. Em atual "conflito" diplomático, o país asiático segura a liberação de 10 mil litros do Ingrediente Farmacêutico Ativo, segundo informações da Folhapress.
 
Em entrevista à Rádio Eldorado, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a resposta da China deve se confirmar ainda hoje (14.mai.2021). Durante reunião com o embaixador chinês, Dimas disse que a previsão era de que o IFA fosse entregue ontem (13.mai.2021), mas que já na 4ª feira (12.mai.2021) a espera não seria atendida e sem uma nova data para a entrega.

Esses 10 mil litros de Ingrediente Farmacêutico seriam suficientes para a produção de 18 milhões de doses da CoronaVac. "Neste momento, não temos autorização do governo da China para importar as vacinas da China. Estamos com intensas negociações com a embaixada aqui no Brasil e com o governo da China através da embaixada brasileira em Pequim",  disse o diretor.

Na China, a vacina é desenvolvida pelo laboratório Sinovac Biotech , que atualmente aguarda o aval do governo chinês para a liberação. "São insumos que já deveriam estar aqui em solo brasileiro, por que neste momento não temos matéria-prima para continuar a produção", acrescentou ainda Dimas Covas.

Hoje (14.mai) o Butantan fez a entrega do último lote - dos três previstos para essa semana - com cerca de 1 milhão de doses que, segundo informações do portal Brasil 247, vão sair dos estoques do Centro de Produção de Vacinas, na sede do laboratório paulista, para o aeroporto de Guarulhos e, de lá, serão enviadas para outros estados brasileiros.

Quanto à paralisação das autorizações de remessas, causada por críticas de Jair Bolsonaro (sem partido) à China, o governador do Estado de São Paulo jogou toda a responsabilidade para o governo federal.

"Todos sabem, temos um entrave diplomático, fruto de declarações desastrosas feita pelo governo federal contra a China e isso gerou um bloqueio por parte do governo chinês da liberação do embarque dos insumos", apontou ele. 

** (Com informações Folhapress e Brasil 247)