08 de dezembro de 2021
Campo Grande 32º 22º

INTERNACIONAL | ESCÂNDALO MUNDIAL

Pandora Papers: paraísos fiscais são usados por políticos e celebridades

Documentos confidenciais apresentam finanças 'offshore' de figuras como o ministro Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

A- A+

Investigação publicada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), revela que chefes de estados, monarcas, políticos e celebridades de todo o mundo realizaram operações financeiras milionárias em paraísos fiscais. Integra no El País ou Revista Piuaí

Reportagens de veículos de imprensa de mais de cem países analisaram 11,9 milhões de documentos confidenciais que apresentam finanças 'offshore' de figuras como o ministro da economia do Brasil, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ambos afirmaram aos veículos que suas contas são declaradas à Receita Federal.

Qual o problema em autoridades manterem offshoresO Código de Conduta da Alta Administração Federal diz que "é vedado o investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função".

Situação de Paulo Guedes? Ele aparece como acionista da empresa Dreadnoughts International Group, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, junto à sua esposa e sua filha. Em 2015, ele tinha US$ 9,5 milhões investidos (cerca de R$ 51 milhões, em valores atuais). Guedes não informa se fez remessas após se tornar ministro, em 2019

Situação de Campos Neto? O presidente do Banco Central é dono de quatro empresas, segundo o El País. Duas delas são registradas no Panamá. Ele afirma que desde o início da sua nomeação ao BC, não houve nenhuma remessa de recursos às companhias e desde então não participa da gestão ou faz investimentos com recursos das empresas

O projeto intitulado "Pandora Papers", aponta que os presidentes Sebastián Piñera, do Chile, Guillermo Lasso, do Equador, e celebridades como Julio Iglesias, Elton John, Shakira e Ringo Starr, atuam no mercado.

A ICIJ reuniu 600 jornalistas de dezenas de meios de comunicação, incluindo The Washington Post e The Guardian.

O presidente equatoriano, Guillermo Lasso, depositou recursos em dois fideicomissos com sede em Dakota do Sul, nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, teria aplicado US $ 22 milhões em empresas de fachada que foram usadas para financiar a compra do Château Bigaud, uma grande propriedade localizada em Mougins, no sul da França.

No total, o ICIJ estabeleceu ligações entre ativos offshore e 336 executivos e políticos seniores, que criaram cerca de 1.000 empresas, mais de dois terços das quais estão localizadas nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.  

Na maioria dos países, esses fatos não podem ser processados. Mas, no caso dos dirigentes, o ICIJ compara o discurso anticorrupção de alguns deles com seus investimentos em paraísos fiscais.

O consórcio jornalístico ficou conhecido no início de abril de 2016 com a publicação dos 'Panama Papers', uma investigação baseada em cerca de 11,5 milhões de documentos de um escritório de advocacia panamenho.

Outras divulgações de pesquisa :

  • Parentes e associados do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, secretamente participaram de negócios imobiliários na Grã-Bretanha no valor de centenas de milhões;
  • O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, e seis membros de sua família são supostamente proprietários de uma rede de empresas em paraísos fiscais;
  • Membros do círculo íntimo do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, incluindo ministros e suas famílias, são supostamente proprietários secretos de empresas e trustes com milhões de dólares;
  • O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não está diretamente nos jornais, mas está relacionado a ativos secretos em Mônaco por meio de seus sócios.

*Pandora Papers, é parte do projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ, com sede em Washington, DC. O consórcio teve acesso a 11,9 milhões de documentos sobre offshores em paraísos fiscais. A investigação dos Pandora Papers reúne mais de 600 profissionais em 117 países e territórios. Além do ICIJ, outros 150 veículos participam do trabalho. Integram o projeto no Brasil a revista piauí, os sites Poder360 e Metrópoles e a Agência Pública