22 de setembro de 2021
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INTERNACIONAL

Presa há 18 anos pela morte de seus 4 bebês, mãe pode ser inocente

Caso pode ser tornar o pior erro judicial da história australiana

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Há 18 anos presa, a australiana Kathleen Folbigg, de 53 anos, suspeita de matar seus quatro bebês pode ser inocente, é o que sugerem novas evidências encontradas por cientistas que indicam que uma mutação genética, desconhecida no momento do nascimento, que levou a complicações cardíacas e provocou a morte de 2 dos bebês. As crianças morreram com idades entre 19 dias e 19 meses em 1989. “Minha conclusão é que a acusação de infanticídio pode ter sido prematura e incorreta”, escreveu o especialista reconhecido internacionalmente, pesquisador de genética líder mundial, Peter Schwartz.

Diante do exposto, 90 investigadores pediram ao governador de New South Wales que perdoasse Kathleen e a deixasse sair em liberdade.

A variante CALM2 (presente no genoma dos nenéns Kathleen) é um gene associado à síndrome do QT longo - uma condição do ritmo cardíaco que pode causar batimentos cardíacos rápidos e caóticos, aumentando o risco de palpitações, desmaios e morte súbita.

Condenada em 2003 a 30 anos de prisão, a mulher que teve a mãe assassinada pelo pai ainda na adolescência, foi uma criança “perturbada” e com problemas comportamentais, o que pode ter contribuído para decisão do júri ao seu desfavor.

Conforme a denúncia, Kathleen casou-se na década de 80 com Craig Folbigg, que ela conheceu numa discoteca em Newcastle. Quando Kathleen tinha 21 anos engravidou de Caleb, que morreu aos 19 dias de vida. Ela teve mais três filhos, Patrick, Sarah e Laura; as crianças morreram uma após a outra, ainda bebês, ao longo de um período de dez anos.

Kathleen foi acusada de ter sufocado todos eles até a morte. Apesar disso, os 90 investigadores concluíram que as crianças morreram de causas naturais.

Entre os que defendem a libertação de Kathleen estão dois ganhadores do prêmio Nobel, duas pessoas nomeadas 'Australianos do Ano', o ex-Cientista-Chefe e presidente da Academia Australiana de Ciências, professor John Shine, que comentou: "Dadas as evidências científicas e médicas que agora existem em neste caso, assinar esta petição era a coisa certa a fazer".

No mês passado, o advogado de Kathleen levantou a possibilidade de o marido ser o responsável pela morte de seus quatro filhos. Mas o argumento foi considerado uma "pista falsa" pelo juiz da Suprema Corte, John Basten.

Se Kathleen for libertada e suas condenações forem de fato anuladas, seu calvário será visto como o pior erro judicial da história australiana.