16 de setembro de 2021
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COVID-19 | COMIDA

'Quem tem grana come bem': Pesquisas analisam alimentação saudável na pandemia

Campo-grandense trocou a carne pelo ovo diante do alongamento das crises sanitária e economica no país

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Alimentação é um hábito diário, que não ficou de fora de sofrer impactos com a chegada da pandemia. Em 2020 foi iniciado o que é classificado como o maior estudo sobre alimentação e saúde já conduzido no país, o "Nutrinet Brasil", que visa acompanhar por 10 anos mais de 200 mil indivíduos.

Com isso, os pesquisadores ganharam a oportunidade de acompanhar a mudança na alimentação nacional, nesse período em que as pessoas passam - ou deveriam passar - mais tempo em casa, sendo que as consequências podem tender para uma dieta mais saudável, com maior ingestão de frutas e verduras, como também um maior descontrole e aumento no consumo de doces e ultraprocessados.

Entretanto, para dizer se o coronavírus melhorou ou piorou nos métodos alimentares, não se pode deixar de analisar o grupo social investigado. Conduzida pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), a Nutrinet já traz dados de antes e depois da pandemia, tendo em vista que a primeira coleta em 2020 ocorreu entre 6 de janeiro e 15 de fevereiro, enquanto a segunda foi entre 10 e 19 de maio.

Os primeiros dados mostram um aumento no consumo de verduras e legumes (que subiu de 87,3% para 89,1%); também de frutas (de 78,3% para 81,8%), assim como o de leguminosas (de 53,5% para 55,3%).

“A mudança positiva no comportamento alimentar poderia ser explicada por alguns fatores. As novas configurações causadas pela pandemia na rotina das pessoas podem ter as estimulado a cozinharem mais e a consumirem mais refeições dentro de casa. Além disso, uma eventual preocupação em melhorar a alimentação e, consequentemente, as defesas imunológicas do organismo poderiam ser consideradas”, disse o coordenador da pesquisa.

Porém, vale ressaltar que nessa pesquisa foi analisado um grupo mais feminino e rico que a média nacional (78% do público em análise eram mulheres e quase 80% delas moram nas regiões Sul e Sudeste).

Detalhes da pesquisa apontam que, a maior parte dessa amostra é representada por por jovens adultos, de 18 a 39 anos (51,1%), mulheres (78%), residentes da região Sudeste do Brasil (61%) e com nível de escolaridade superior a 12 anos de estudo (85,1%), segundo dados da Agência Brasil.

Em análise dos dados, o próprio portal de Saúde da Revista Veja apontou que: "o dinheiro é importante para manter a alimentação saudável, especialmente numa crise que afetou a economia". 

Paralelo ao NutriNet, a Herbalife Nutrition encomendou a pesquisa intitulada "Pesquisa Global Sobre Hábitos Alimentares na Pandemia", com 28 mil pessoas de 30 países, sendo só mil brasileiras. Com isso, metade (500) desses brasileiros afirmaram que têm consumido mais frutas e verduras; 45% afirmam ingerir mais alimentos à base de plantas e a carne ainda perdeu espaço na mesa de 43% desse total.

Já um estudo que envolveu 44 mil brasileiros (ConVid Pesquisa de Comportamentos), mostra uma outra realidade.

  • Se antes da pandemia, até 37,3% das pessoas consumiam legumes e veruduras ao menos cinco vezes na semana, com a Covid-19 em território nacional esse percentual cai para 33%
  • Para as frutas, a queda foi de 32,8% para 31,9%.
  • Enquanto 31,9% das pessoas dizem comer leguminosas, ao menos cinco vezes na semana, em tempos "pré-Covid" esse percentual chegava a 32,8%.

MÁ ALIMENTAÇÃO

Ao mesmo tempo em que essa terceira pesquisa, conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) em parceria com as universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal de Minas Gerais, aponta essa queda no consumo de alimentos saudáveis, ela mostra um crescimento nas comidas ligadas a diferentes problemas de saúde, os ultraprocessados.

Antes da pandemia, 10% dos entrevistados alegaram consumir congelados (pizzas, lasanhas) em até dois dias da semana, no mínimo. Esse percentual subiu para 14,6%.

Salgadinhos de pacote, que antes apresentavam um índice de 9,5%, hoje chegam a 13,2% dos entrevistados.

Enquanto os doces, como bolos, biscoitos ou chocolates, teve um consumo que foi de 41,3% para 47,1%, mais de cinco pontos percentuais.

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Através das redes sociais os leitores relataram suas realidades, com uns dizendo que comeram menos e melhor, no caso do Elton Davi Pereira, e outros, como a Pamela e a Rose dizendo que comeram demais e que o problema de intestino preguiçoso não melhorou, mesmo com um aumento na ingestão de fibras.

Mais de 400 pessoas foram questionadas, a respeito de seus hábitos alimentares, e menos da metade (38%) disseram que não abriram mão da carne, enquanto 62% trocou o bife pelo ovo.

Também, ao mesmo tempo em que 64% alegou ter aumentado o consumo de vegetais, 71% também relatou ter aumentado o consumo de doces no período da pandemia.

Na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também é possível encontrar uma análise interessante, se comparado quanto a população gasta com o agregado de frutas e hortaliças.

Enquanto o brasileiro manteve a mesma proporção de gastos do seu orçamento, que são destinados para frutas e verduras, num período de 10 anos (com análises feitas no período 2008-2009 e 2017-2018), com a pandemia se estendendo em 2021 e a população com a renda mais apertada, consequentemente um orçamento fixo (ou até menor) será destinado ao consumo de itens desse setor.