12 de junho de 2021
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Com bom humor e gramática, professores protestam contra descaso de Olarte

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Com bom humor e um pouco de ironia, os professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) protestam contra aquilo que chama de indiferença, descaso e falta de compromisso do prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte (PP) no que se refere ao cumprimento da lei nº 5.186/13, que determina integralização do piso salarial nacional para jornada de trabalho de 20 horas semanais.

Hoje, enquanto se reúnem em assembleia geral para discutir a última proposta de Olarte, considerada ultrajante por muitos, os professores municipais resolveram dar uma aula bem didática de cidadania. Usando "caça-palavras" e análise sintática, exercício gramatical para identificação de termos de uma frase, os professores conseguiram deixar claro o quão absurda é a situação na qual se encontram, uma vez que o prefeito resolver se abster de cumprir uma lei, e pior anda dizendo por aí que ao reajustar o salário de todos os servidores em maio, o que inclui dos professores, fez um favor a categoria, e por isso diz esperar contar com a compreensão deles.

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"7 vezes sem juros. É Casas Bahia? Não é Olarte"; "Na frase: se negou a a pagar reajuste aos professores. Onde está o sujeito?", em seguida vêm as opções :"No gabinete?; Viajando para SP?; Oculto?; No Monje?". São algumas das demonstrações do bom humor usado pelos professores para explicitar o tratamento que eles têm recebido do prefeito nos últimos seis dias desde que decidiram pela greve.

A greve dos professores, sem dúvida, pode ser o grande calcanhar de Aquiless da gestão de Olarte e render a ele um caminho sem volta rumo à derrota em 2016, caso ele consiga findar o mandato, claro. Olarte, que entrou na prefeitura depois de um prefeito cassado justamente por não cumprir com seus deveres para com população, pouco fez para reverter o quadro de estagnação em que se encontrava Campo Grande.

Muitas promessas, poucas ações, obras paradas, investigações do Ministério Público, prefeitura se tornando cabide de emprego, reajustes abusivos de impostos e tarias, e greve dos professores. E Olarte ainda não conseguiu contornar sequer lidar com a situação. os professores com suas brincadeiras estão sendo muito educados com prefeito se comparado com o tratamento que eles têm recebido de Olarte.

Ontem, como se não bastasse a crise com a categoria, Olarte escolheu estratégia errada e decidiu pressionar e ameaçar, tal qual fosse um coronel dos antigos tempos de Mato Grosso. Disse que só voltaria a negociar caso professores retomassem as atividades. Quem em sã consciência aceitaria ou acreditaria em uma proposta dessas? Talvez o prefeito esteja subestimando os educadores de Campo Grande, o que, sem dúvida,pode ser um erro fatal. De sujeito principal, Olarte pode em um intervalo de vírgulas passar a sujeito oculto, ou inexistente.

Heloísa Lazarini