06 de maio de 2021
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"CINZAS NO PANTANAL"

Curta-metragem feito com stop motion de origami tem pré-estreia domingo (25.abr.2021)

Obra inspirada pelas queimadas de 2020 trará tutoriais de origami de animais do pantanal e aula para professores da Rede Estadual de Ensino

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Queimadas no Pantanal, no ano passado, deixaram marcas que foram além do solo varrido e da fauna consumida pelo fogo, dessa destruição nasceu inspiração para o stop-motion “Cinzas no Pantanal”, da cineasta Mariana Marques que terá sua pré-estreia neste domingo (25.abr.2021), às 19h.

“Ano passado foi um ano histórico em número de queimadas no Pantanal e em área de extensão. Sendo sul-mato-grossense, não tem como não ficar tocado, o que me motivou a escrever um projeto que retratasse isso, mesmo que de forma lúdica, poética, mas que fizesse um questionamento crítico desses fatos que estavam acontecendo”, conta Mariana, explica a cineasta idealizadora.

Ela revela que ainda quando começou a formular o projeto, já imaginava ele em papel. "Não é um recurso muito utilizado quando se pensa em stop motion, mas te dá tantas possibilidades quanto o restante dos materiais. Além disso, o papel traça um paralelo com o tema da animação, pois é delicado, assim como o meio ambiente”, argumenta Mariana. 

"pantanal/">Cinzas no Pantanal" tem a ideia de trazer uma mensagem de conscientização para crianças e adultos, segundo assessoria. Financiado pelos recursos da Lei Aldir Blanc - do edital Morena Cultura e Cidadania -, o curta-metragem em stop motion tem cenários e figuras confeccionadas em origami pelo mestre origamista Elder Alves. 

Elder e seu trabalho ainda serão presença em três vídeos curtos com tutoriais de origami de animais do Pantanal. As "vídeo-aulas" estarão disponíveis nas redes sociais do filme Instagram @cinzas_no_pantanal e Facebook: pantanal/">Cinzas no Pantanal.

O curta foi realizado pela Bicicletaria Filmes, produtora de vídeos dirigida por Mariana e Tiago Franco, em parceria com a Marshmelo Filmes. 

Tiago, que trabalha com stop motion há mais de 15 anos, é quem assina a direção de animação. Ele conta que o principal desafio de trabalhar com origami foi encontrar os movimentos de cada peça desenvolvida. 

Nessa técnica, são necessárias 12 a 24 fotos para produzir apenas um segundo de filme. “Só de produção tivemos mais de 350 horas de trabalho, fora o tempo de pré-produção e de edição, que também são essenciais. No stop motion é tudo programado, por isso precisamos saber como aquela figura vai se comportar para poder gerar uma animação com o resultado pretendido. É uma técnica muito minuciosa”, completa.

Como o filme foi pensado não só para crianças, mas sim para todos os públicos, Mariana levanta que a ideia é trazer um questionamento importante. 

"É que se reflita de alguma forma sobre isso que está acontecendo todos os anos no Pantanal. As queimadas acontecem quase sempre por ação humana e no inverno, período de seca no Pantanal. Existe um movimento cíclico no bioma, a próxima estação traz a chuva e a renovação de uma parte do que foi perdido. Mas até quando?”, finaliza Mariana. 

Ainda, após a exibição e publicação dos vídeos, será disponibilizada uma cartilha virtual com instruções de dobraduras. A assessoria informa ainda que uma aula on-line de origami exclusiva para os professores da Rede Estadual de Ensino, que serão informados pela Secretaria Estadual de Educação, também será ministrada.