26 de fevereiro de 2021
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Retrocesso

Dinheiro sobrando, discurso ufanista e Bernal afunda na buraqueira

Com um “pacotão” de investimentos em infraestrutura que devem chegar a R$ 500 milhões, a Prefeitura de Campo Grande não está conseguindo vencer nem a buraqueira nos diversos setores sob sua responsabilidade.

Da peneira viária em que se transformou a área urbana aos rombos gerenciais que retratam o pífio desempenho do prefeito, a capital de Mato Grosso do Sul vive o período mais desastroso de sua história política e administrativa. Antes um padrão nacional de progresso sustentável e humanizado, ruas e praças bem mantidas e arborizadas, hoje é uma cidade que retrata o desleixo e a incapacidade com que vem sendo tratada pelo poder publico local.

No dia 25 de maio passado, o prefeito lançou um “pacotaço” de investimentos com dezenas de obras, das quais 44 que haviam sido paralisadas. Ao garantir que estava fazendo voltar a crescer uma cidade que estava quebrada, Bernal anunciou a pavimentação de 250 km de vias. Especificamente, nesse item foram citadas obras de drenagem e asfalto do complexo Jorge Amado, no Bairro Tarumã, e Residencial Ramez Tebet, no Anhanduizinho.

Do total dos recursos – que chega a meio bilhão de reais -, metade é de fonte federal, por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, há contrapartida local. Uma das planilhas, por exemplo, contempla um conjunto de intervenções no valor de R$ 45 milhões, sendo R$ 11 milhões de desembolso pela Prefeitura. Textualmente, o prefeito cantou, eufórico, ao afiançar que iria recolocar a casa em ordem: “Vai começar um novo período para a cidade”, decretou.

Mas não é o que se vê, a considerar o tamanho e a profundidade do caos em que o município está afundado. Dinheiro não falta, conforme o próprio Bernal afirmou ao comemorar o resgate de Campo Grande da lista de inadimplência do governo federal e a retomada das obras do PAC. Faltam seis meses e meio para o fim do mandato e os estragos urbanos e políticos já engoliram a gestão de Bernal. A malha viária é uma colcha de retalhos totalmente danificada, com trechos intransitáveis e ruas onde o tapa-buracos não resistiu aos primeiros pingos de chuva.

Os postos de saúde, hospitais, Corpo de Bombeiros e as polícias registram diariamente – com a cobertura da mídia – acidentes em todas as regiões da cidade tendo como fator potencial o estado crítico da pista de tráfego. E essa situação já deveria estar riscada do mapa, pois uma das primeiras atitudes de Bernal após a posse, em 2013, foi suspender o trabalho das empresas que faziam a manutenção, alegando irregularidades, mas não tomou a providência capaz de reparar o que havia condenado. Campo Grande continuou sendo mal assistida em sua malha viária e hoje está feia na fotografia da realidade urbana brasileira.

Na saúde, o cenário é igualmente desolador. Não bastasse o caótico sistema de atendimento na rede – com vazios de assistência em plantões sem médicos, filas quilométricas para consultas e até ano de espera para cirurgias -, a população que depende do poder publico ainda tornou-se presa fácil de doenças endêmicas, entre as quais as causadas pelo mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chicungunya e zika vírus.

De acordo com dados oficiais, até o início deste mês nove pessoas haviam morrido em Campo Grande vítimas da H1N1 ou gripe suína. Em meio a essa tragédia, mais um fato lamentável a engrossar os questionamentos do povo à administração municipal: a denúncia de que ao menos três mil doses de vacina contra a gripe H1N1 desapareceram. Para apurar essa denúncia, a Câmara de Vereadores instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A prefeitura sustenta que cumpriu as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde e garante que não sumiu nenhuma dose. Porém, o prefeito lida com outra denúncia: a de que alguns assessores teriam sido imunizados com a vacina dentro de seu próprio gabinete.