18 de abril de 2021
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Clima tenso

Funcionárias da Casa da Mulher Brasileira denunciam demissões de cunho político

"Estamos trabalhando sob uma tensão muito grande, pois as demissões têm sido constante", relata Rosa sobre a atual gestão.

Criada para garantir proteção à mulher vítima de violência, a Casa da Mulher Brasileira vive hoje um clima tenso entre funcionárias portadoras de deficiência e a atual Secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Leide Pedroso, que é acusada de demitir sem justa causa apenas por 'cunho político', pois foram contratadas outras funcionárias para prestar o mesmo serviço, mas sem a qualificação necessária que exige a função.

Rosa Maria Batista Santos tem 55 anos de idade e 17 anos de experiência com atendimento a pessoas vítimas de violência, especialmente às mulheres. Rosa é portadora de uma síndrome chamada focomelia, que provoca uma má formação genética no feto responsável pelo encurtamento dos membros superiores ao tronco.

Rosa, entretanto, há 17 anos superou desafios e desenvolveu carreira na Polícia Civil trabalhando na DPCA, Deam e 1ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, e no 19 deste mês ela completaria um ano de trabalho na Casa da Mulher Brasileira. Completaria, não fosse, a demissão sem justa causa que a surpreendeu na tarde desta quinta-feira (9). “Ali há 3 meses estamos trabalhando sob uma tensão muito grande, pois as demissões têm sido constante, mas o que é estranho é que ela ( Leide Pedroso) demite uma pessoa e contrata duas e todos que são demitidos foram contratados na gestão da ex-secretária”, desabafa Rosa.

A funcionária, contratada para desempenhar a função de telefonista, conta que há cerca de 8 meses tem sido obrigada a atuar também como recepcionista. Outra denúncia feita por Rosa é que as pessoas que foram contratadas pela atual secretária não receberam capacitação para atender mulheres vítimas de violência. “Isso nos entristece, a maneira como ela trata funcionários é ridícula. Ela entra e sai da Casa (Casa da Mulher Brasileira) sem nem nos cumprimentar. Fico preocupada com qualidade do serviço, pois n[os recebemos capacitação durante meses e pessoas novas que estão entrando não foram capacitadas”.

Rosa conta também que o problema das demissões, que ela considera ‘de cunho político’, teve início no final de 2015 com demissão da coordenadora responsável pelas funcionárias terceirizadas. “Ela tirou uma pessoa experiente que sabia como coordenar a equipe de repente ficamos sem rumo”.

Além de Rosa, outra funcionária portadora de deficiência também foi demitida nesta quinta- feira (9). As duas demissões não foram justificadas. “Disseram que Morena não precisava mais do serviço. Eu não sei o que fazer, sempre me dediquei, tive muitas dificuldades, mas me adaptei. Acordo às 4h30 para chegar às 7h no serviço e agora fui demitida”, conta Mônica.

Para a presidente da Associação das Mulheres com Deficiência de Campo Grande, Mirella Bllatore Tospa, as demissões são um retrocesso. “A Casa da Mulher Brasileira não pode ser de um partido político e essas demissões são de cunho político, isso é um retrocesso. A Casa quando inaugurada sempre teve como diretriz a inclusão da mulher, de todas as mulheres”.