21 de junho de 2021
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Inserção Social através da arte traz benefícios a pacientes psiquiátricos

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Cerca de 60 pacientes atendidos pelo projeto Cultural Mente, desenvolvido através de uma parceria entre a Secretaria de Cultura e Turismo (Sectur) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), nas Unidades de Apoio Psicossocial (CAPS) de Campo Grande, fizeram na tarde de quarta-feira (20), a primeira apresentação do “Coral dos CAPS”, no centro de música da Esplanada Ferroviária. Acompanhados da Orquestra Sinfônica Municipal e sob a batuta do maestro Eduardo Martinelli, os coralistas executaram cinco músicas e arrancaram aplausos e lágrimas do público presente.

As atividades de inserção musical e trabalho de canto vêm sendo trabalhadas individualmente há alguns meses nas unidades e, diante da boa aceitação e adesão dos pacientes, surgiu à ideia de formar o primeiro Coral dos CAPS de Campo Grande.

O projeto, materializado na apresentação de hoje, contou com a colaboração do músico Jardel Tartari, coordenador da Orquestra Sinfônica Municipal e, mesmo em pouco tempo, tem se mostrado uma valiosa ferramenta no tratamento de pacientes com transtornos mentais atendidos nos CAPS .  Além disso, esse tipo de atividade está em sintonia com a reforma psiquiátrica brasileira, que prega a inclusão social e um tratamento respeitoso e humano aos portadores de transtornos mentais.

Responsável pelo acompanhamento dos pacientes do CAPS Vila Margarida, a psicóloga Elizangela Ficanha explica que as chamadas oficinas terapêuticas, a qual se enquadra o canto e demais formas de arte, são extremamente importantes para o desenvolvimento cognitivo e social do paciente haja vista que, através destas atividades, ele consegue se expressar tanto fisicamente, quanto emocionalmente, o que traz inúmeros benefícios no tratamento.

“Estes pacientes, em sua maioria, encontram-se fragilizados e retraídos com dificuldade de interação e até mesmo de comunicação com as demais pessoas. Através dessa socialização, proporcionada pelo contato com outros pacientes e pessoas que estão fora do seu ciclo de convivência, traz melhorias na autoestima e incentiva a autoconfiança. O reflexo disso se dá na diminuição das crises e demais representações patológicas”, diz.

Benefícios para o corpo e a mente

A psicóloga destaca ainda que as atividades trazem outros benefícios aos pacientes, que estão mais vaidosos e com mais noção de convívio social, sabendo a hora de falar e de ouvir.

“Não é apenas uma aula de canto e exercício vocal. O grupo de forma lúdica, mas não infantilizada. Com isso, eles estão aprendendo a se expressar mais pela voz e pela fala. Alguns eram muito gestuais e passaram a se comunicar melhor”, diz.

O projeto Cultural Mente – pioneiro em Mato Grosso do Sul e que tem se tornado referência até mesmo para outros estados – explora várias vertentes da arte como terapia, mas é através da música, em especial do canto, que mais de 80 pacientes estão encontrando um propósito e um incentivo a mais para continuarem buscando tratamento. A intenção é programa para este ano diversas apresentações.

As atividades do Cultural Mente acontecem diariamente nas seis Unidades de Apoio Psicossocial de Campo Grande.

A apresentação foi acompanhada pela Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Nilde Brum, da adjunta da pasta, Laura Miranda e da secretária adjunta de Saúde, Andressa De Lucca Bento, além de servidores das duas pastas.