18 de junho de 2021
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FORÇA MATRIARCAL

Mãe, Maria foi das batedeiras para a horta, até à construção, durante a pandemia

Com o marido trabalhando fora, em casa ela foi mecânica, professora, pedreira e reinventou seu empreededorismo com negócio de bolos

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No mundo, ligada com o fluxo das águas, com a lua e com a terra, apenas a mulher tem a capacidade de gerar uma vida dentro de si e com isso ser chamada de "mãe". Mesmo que a palavra se aplique não só aos laços de sangue, é o afeto e cuidado que são capazes de transformar esses seres, que tiveram também que mudar e se adaptar à realidade de uma pandemia, como é o caso da Maria Aparecida Bezerra da Silva Barreto, de 42 anos, moradora do bairro Cidade Morena.

Com o esposoVictor Magnus trabalhando fora, os pequenos impedidos de frequentar suas aulas, Maria - que é mãe de quatro filhos - hoje cuida da casa, das crianças e acumula funções que foi descobrindo nesse período de pandemia. "Mexo com bolos desde 2000, quando comprei uma batedeira, o primeiro bolo de aniversário, que foi para minha casa, para meu filho que hoje tem 21 anos", disse.

Ela conta que nesse tempo se especializou, fez cursos e aprendeu matando suas curiosidades, o que fez com que ela confeccionasse bolos grandes para várias pessoas. Mas, segundo ela, até isso mudou.



"Hoje tive que me adaptar com um bolo que cabe na palma da mão. Para mim é uma dificuldade enorme, mas continuo fazendo. Como a minha confeitaria é artesanal pego o que consigo", explica ainda.

MÃE MULTIFUNÇÕES

Em tempos de pandemia Maria aprendeu mecânica, para consertar o carro; aprendeu a usar aplicativos para pagar as contas, colocou em prática habilidade de pedreira que aprendeu com o pai ainda criança e ainda serviu de tutora para dar sequência aos estudos dos filhos, o básico para a criança com 7 anos em alfabetização e o de 3 aninhos no ensino infantil.


Durante conversa com o MS Notícias, Maria Aparecida ainda ri e se diverte ao se lembrar de como a realidade pandêmica começou para ela, com as escolas paradas, também a faculdade de um e o serviço como jovem aprendiz de outro filho.

"Achei que não ia aguentar. Com meu marido ausente, correndo risco lá fora, numa cidade do interior. Pensei o que seria de nós na pandemia, se passaríamos fome, se teríamos o que comer. Tive que ser forte porque, com todo mundo em casa, se eu desabo tudo vai desabar. Preciso me reinventar, olhar para dentro de mim e me fortalecer. Essa fortaleza sempre busco na igreja, mas até ela fechou e eu falei 'lascou'", brinca ainda.

Foi assim, após orar em família mesmo que ela pensou em ações para fazer dentro de casa, tratando inclusive com ar de seriedade o convívio. "Falei: vou fazer meu gabinete verde, vocês serão meus assessores e eu vou despachar daqui. Falava como se fosse política. Criei a horta verde, plantei girassol que colhemos, tiramos fotos".



Ela conta que sofre com artrite reumatóide e ainda assim construiu um fogo de lenha, um pergolado. "Se sei mexer com cimento, por quê agora não posso fazer isso? Me deu esse gatilho, a mente foi abrindo, foi fluindo tanta coisa boa. Que eu não ficava quieta, não deixava os outros quietos e assim ninguém entrou na monotonia e o medo da pandemia foi diminuindo".

Professora adaptada, com o marido ausente, trabalhando na construção de uma BR em Laguna Carapã, Maria Aparecida revela que não sofreu de depressão nesse período e, com trabalho duro, pôde também erguer a casinha para os cachorros e um galinheiro para o Seu Filó (galinho de estimação). Neste domingo (09.mai.2021), ela estende ainda um recado para outras mulheres mães.

"Que elas tenham fé em Deus. Não tenham medo do desconhecido e que o maior cuidado e maior amor que podem dar para os filhos é a educação, carinho e o exemplo. Muita força, muita garra, se sou sim é porque tenho avós porreta e uma mãe do mesmo jeito"".

Sobre sua realidade na pandemia, ela conta que quando não podia bater a massa, seus filhos a ajudavam.  

Quando virou esse ano pensei o quê iria ser, de novo. Olhei para trás e vi tudo o que consegui fazer, com ajuda do meu marido trabalhando, os filhos em casa... quero fazer tudo de novo.

"Todas as mães que se sentem tristes, as que perderam filhos e as outras que estão sendo mães pela primeira vez. Queria que elas não se sentissem assustadas, desesperadas e com medo. A gente quando é mãe, tem muito medo que os filhos sofram no mundo, com essa pandemia e outras coisas também. Se estiverem passando por momentos de dificuldade, que a gente sempre passa, que não percam a fé não. Sempre, dentro da nossa cabeça de mãe e do nosso coração, vai ter uma luz, vai brilhar um caminho para a gente poder seguir. Com muito carinho e dedicação a gente vence"

Maria Aparecida Bezerra da Silva Barreto faz e vende bolos por encomenda, que podem ser pedidos pelo telefone: (67) 9243-9237