15 de junho de 2021
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'BOLA DE NEVE'

Réu por agiotagem, Santana (PSDB) substitui vereador na Câmara Municipal

Suplente recebeu 4.118 votos nas eleições de 2020 e tem nome envolvido com família crimes da Name, investigados pela Operação Omertà

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No cenário da Câmara Municipal, o vereador João César Mattogrosso deixou a vaga na Casa de Leis para assumir a Secretaria Estadual de Cultura e Cidadania e, ainda ontem (04.mai.2021) seu substituto Ademir Santana (PSDB) foi empossado. Suplente com 4.118 votos recebidos nas eleições de 2020, Santana teve nome envolvido na Operação Omertà, como alvo da fase "Snow Ball".

Em seu discurso de posse, Ademir agradeceu a Deus e os votos que recebeu. "Quando fomos eleitos, em 2016, fizemos um pacto para cuidar da nossa Cidade Morena. Nos abraçamos com muita dedicação e a Câmara, com toda responsabilidade, lutou para chegarmos onde estamos hoje. É um momento de agradecimento. Quando fiquei de suplente, não entrei em desespero, não fui pego de surpresa. Tivemos um empate técnico na nossa chapa e isso faz parte do jogo", disse na oportunidade.

Ele deve retomar a agenda de trabalhos deixados no último mandato e, segundo assessoria da Casa de Leis, deverá ter como principal bandeira a criação de um Hospital Municipal em Campo Grande.

"CAPIVARA"

Como foi noticiado pela mídia local em 07 de outubro de 2020, a polícia fez buscas nos imóveis (casa e chácara) do vereador, suspeito de envolvimento em crimes de pistolagem e com a família Name.  

Alvo da 5ª fase da operação, em ano eleitoral, Ademir é réu e, em 24 de fevereiro de 2021, apresentou sua defesa contra a acusação de ser integrante da associação criminosa de Name e filho, que era especializada em extorsão armada, agiotagem e lavagem de dinheiro. Ele alega não haver provas de sua participação nas ações de delito que estão incluídas na denúncia baseada em investigação da força-tarefa da Polícia Civil.  

Segundo apurado pela mídia o nome do vereador estava ligado na negociação de um imóvel onde foi localizado um arsenal de guerra.

Ainda, segundo apuração policial, Santana foi quem transportou o empresário José Carlos de Souza e sua mulher para a mansão de Jamil Name, onde o casal ficou sob a mira de arma. José é apontado como dono da casa onde foi localizado o arsenal e que, segundo revelado à polícia, o imóvel foi tomado pelo grupo para quitar uma dívida milionária, acumulada desde 2015.

Em depoimento no Garras, em 8 de outubro, os advogados do vereador acusado negaram o envolvimento de Ademir como motorista da família Name. "Até porque, em maio de 2017, quando os fatos teriam acontecido, já exercia a função de vereador na Câmara Municipal de Campo Grande/MS, estando envolvido em vários eventos”, fala no texto.

MUDANÇA INTERNA

Com a chegada de Ademir, a composição das Comissões Permanentes da Câmara Municipal foi mudada. Na Comissão Permanente de Legislação Participativa, que recebe sugestões de iniciativa legislativa apresentada por cidadãos e órgãos de classe, Ademir Santana substituiu o Dr. Victor Rocha na presidência.

Na "Permanente de Legislação, Justiça e Redação Final", Ademir substitui João César como membro. No colegiado, tramitam todas as proposições que dão entrada na Câmara para emissão de pareceres sobre aspectos legal, constitucional e regimental.

Isso se repete na Comissão Permanente de Políticas e Direitos das Mulheres, de Cidadania e Direitos Humanos, que tem a missão de opinar sobre aspectos e direitos relativos ao índio, à criança, ao adolescente, ao idoso, ao negro, à mulher, e a outras minorias étnicas e sociais; e aspectos relativos à defesa e garantia dos direitos do cidadão, segundo o regimento.

Dr. Victor Rocha torna-se o atual presidente da Comissão Permanente de Indústria, Comércio, Agropecuária e Turismo, que ganhou ainda o vereador Clodoilson Pires como novo membro. Esse colegiado busca fomentar a política de geração de emprego e desenvolvimento econômico através de ações isoladas ou conjuntas com a sociedade civil organizada e os poderes públicos.