26 de julho de 2021
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'FORA DA REDE DE ESGOTO'

Sem cumprir com palavra, Águas deixa moradores expostos à doenças

Além das despesas semanais para esvaziar fossas, população da rua Cotegipe no Coophasul corre riscos sem saneamento adequado

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Moradores do Coophasul, que estão fora da rede de esgoto há quatro anos e aguardavam ao menos uma visita da concessionária Águas Guariroba - marcada para o fim do mês passado -, vêem obras acontecendo em outros cantos de Campo Grande, enquanto aguardam o desenrolar das burocracias da fornecedora para execução da tão aguardada obra de extensão.

Em um novo contato, a concessionária apontou que nesses quatro anos, um crescimento de vegetação na Rua Cotegipe, que não estava previsto no planejamento urbano, tornou-se um fator a ser levado em conta para que uma extensão da rede de esgoto seja feita. 

"O Coophasul como um todo já possui rede esgoto seguindo o planejamento municipal, porém essas regiões com o passar dos anos registram um crescimento vegetativo além do previsto quando houve o planejamento urbano. Nesses casos é preciso avaliar cada ponto sem a rede, para que seja feita uma extensão", explicou a Águas Guariroba.

Ainda no dia 03 de maio a empresa disse que já possuía um cronograma para que o esgoto 'passe' no trecho que falta fazer a extensão.  “Referente à implantação de rede de esgoto na extensão da Rua Cotegipe, região do Coophasul, a Águas Guariroba já possui um cronograma de obras para o local com previsão de início até o final deste mês”.

Enquanto tecnologias para perfuração de petróleo são usadas por parte da empresa, para instalação de poços que visam ampliar a produção de água na região do Pioneiros e Nova Lima, os moradores do Coophasul alegam que, desde a primeira denúncia feita pelo MS Notícias, há mais de um mês, não aconteceu nem sequer uma visita técnica para o mapeio e listagem das residências que não estão conectadas à rede de esgoto.

Ainda na primeira denúncia, a moradora da Rua Cotegipe que procurou a equipe de reportagem, informou que sua mãe gastava cerca de R$250 semanalmente. "É um dinheiro que tá indo semanalmente. Que para não ficar vazando teria que ser [esvaziada a fossa] um dia sim outro não. Se não forem fazer o esgoto vai ter que fazer outra fossa", disse a denunciante em busca de uma posição por parte da Águas Guarirobas diante do descaso.

Além das altas despesas que a desassistência por parte da concessionária traz ao moradores, informações compiladas da Cúpula de Saúde do Estadão apontam alguns problemas que são gerados pela falta de um saneamento básico adequado, confira:

  • 1 - MAIOR INCIDÊNCIA DE DOENÇAS

Falta de tratamento adequado de água e do esgoto - situação em que se encontram os moradores da Rua Cotegipe - deixam a população em maior contato com patógenos perigosos causadores de doenças, como a leptospirose, disenteria bacteriana, esquistossomose, febre tifoide, cólera e parasitoides.

Além de ser um passo mais perto de agravar surtos de epidemias como dengue, chikungunya e zika.
 
Mais recente, a revista científica britânica The Lancet Gastroenterology & Hepatology revelou que - como partes do material genético do Sars-Cov-2 foram encontradas em águas residuais de várias cidades do mundo - existe a possibilidade de transmissão do coronavírus pelas fezes, como ocorre com outros vírus do mesmo tipo.

  • 2 - AMEAÇA À SAÚDE PÚBLICA

Dados da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) revelam que o Brasil gastou, só nos primeiros três meses de 2020, R$ 16 milhões com internações causadas por patologias decorrentes de saneamento inadequado.

Em atendimentos através do Sistema Único de Saúde, foram contabilizados nesse período mais de 41 mil internações por falhas no saneamento. Isso corresponde a quase cinco por cento dos leitos (4,2%) ocupados por três dias, em média. Em tempos de pandemia, isso implica diretamente em um prejuízo no atendimento a pacientes infectados pelo coronavírus.

  • 3 - AUMENTO DA MORTALIDADE

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 88% das mortes por diarreia que acontecem no mundo, são causadas por um saneamento inadequado. Dentro desse número, 84% corresponde a mortes de crianças que possuem até cinco anos de idade.

Segundo estimativa da OMS, levantadas pelo estudo da revista Ciência & Saúde, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), um milhão e meio de crianças morrem a cada ano em por patologias diarreicas. Essa doença, no Brasil, foi responsável por 3,4 milhões de internações e 72 mil mortes de 2000 a 2015.

** (Com informações Estadão Summit Saúde Brasil 2021)