26 de outubro de 2021
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Unidade tucana impulsiona Rose e põe adversários em alerta

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Não se materializou para a concorrência a perspectiva de disputa interna com arranhões e desgastes na definição do PSDB sobre com quem disputará a sucessão do prefeito Alcides Bernal (PP). A escolha da vice-governadora Rose Modesto - por aclamação na quinta-feira, 28 - pode não ter sido surpresa. Na verdade, o que chamou a atenção foi a demonstração de unidade, tanto no comportamento dos outros postulantes, ao endossar pacificamente seu nome, como na antecipação do calendário político ao confirmar a pré-candidatura mais de um mês antes da convenção que homologará as chapas do partido.

Com a unidade consolidada para ratificar a indicação de Rose e confiança política e eleitoral ao sair na frente do processo sucessório, o PSDB pontua um diferencial de peso para o enfrentamento. Veste-se de tranquilidade e otimiza o tempo para desenvolver a avaliação da estratégia político-eleitoral a ser adotada e preparar o terreno em que fará a composição das chapas e alianças. Seus dirigentes e estrategistas sabem que a disputa não será fácil, mas a expectativa de sucesso se alimenta quando um partido se encorpa e, coeso orgânica e politicamente, melhora sensivelmente sua competitividade.

Avança, dessa maneira, o projeto tucano de superar o sucesso que teve quando estreou em voo-solo na sucessão local, em 2012: naquele ano, mesmo entrando no páreo quase em cima da hora, o deputado federal Reinaldo Azambuja, do PSDB, quase surpreendeu os três candidatos que dominavam os três primeiros lugares das intenções de voto: Edson Giroto (PR), Alcides Bernal (PP) e Vander Loubet (PT).

Por apenas 9.184 votos o tucano não chegou ao segundo turno: teve 113.629 contra 122.813 de Giroto, o segundo colocado. Porém, seus votos foram determinantes para a vitória de Bernal e a derrota de Giroto, que tinha apoio das duas maiores máquinas político-administrativas, as do Estado e da Capital. E ninguém hoje contesta a dedução de que esse desempenho em 2012 abriu o caminho de Azambuja para a vitória em 2014, na disputa pelo governo estadual.

 Agora, a opção por uma pré-candidata com o perfil de Rose Modesto inegavelmente contribuiu para tornar mais favorável o cenário de possibilidades eleitorais dos tucanos em Campo Grande. O partido poderia chegar à convenção aproveitando o luxo de contar com ao menos seis nomes para disputar a indicação dos convencionais ou, mesmo em chapa única, cumprir normalmente o calendário e aguardar a data-limite fixada por lei para homologar a chapa.

Estimulado pelas ações consensuais conduzidas por Azambuja e pelo presidente do Diretório Regional, Márcio Monteiro, além de guiar-se por princípios pessoais, os secretários Eduardo Riedel (Governo e Gestão Estratégica) e Carlos Alberto Assis (Administração); o vereador João Rocha; e os deputados estaduais Mara Caseiro, Beto Pereira e Felipe Orro deliberaram antecipar a decisão de não prolongar o processo de disputa pela indicação partidária. Conhecem o risco de desgastes que isso provoca e reconhecem as qualidades de Rose como cidadã, educadora e agente político testado na vereança, no ativismo social e na condução gerencial de uma pasta de grande alcance, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Assistência e Trabalho.

Não é, porém, somente um nome escolhido com antecedência e nem as suas qualidades que fazem a diferença. O que deve por os rivais de sobreaviso é a forma de chegada dessa candidatura, indicadora de uma força política e eleitoral unificada, que avança coesa e compacta, consciente de sua realidade e do fôlego que vem renovando para enfrentar seus desafios.