10 de agosto de 2020
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CAMPO GRANDE

Após jovem ser degolada e deixada nua em calçada, mulheres manifestam na Capital

Ato aconteceu no Tiradentes neste domingo (5.julho), em frente ao local onde deixaram o corpo de Carla Santana

Um publico emocionado, mulheres em sua maioria, consolou a mãe e familiares de Carla Santana Magalhães durante uma homenagem à jovem sequestrada 3ª-feira passada (30.julho), e assassinada logo depois. O ato, mobilizado por redes sociais, aconteceu neste domingo (5.julho)  na esquina das ruas João Cassimiro e Nova Tiradentes, no Bairro Tiradentes, em frente ao bar em cuja calçada os assassinos deixaram o corpo de Carla, completamente nu, e com marcas de violência, inclusive sexual.

Carla tinha 25 anos e segundo a Polícia morreu degolada. Cerca de 40 pessoas foram abraçar os familiares e principalmente a mãe da jovem de 25 anos, dona Ivani. Ambas são muito conhecidas nessa região do Tiradentes, próxima da Lagoa Itatiaia. Após as orações cristãs, algumas pessoas se manifestaram para prestar condolências à família, pedir justiça e sugerir que todas as pessoas - em especial mulheres vítimas de violência – denunciem os agressores.

Carla Santana Magalhães, morta a última 3ª-feira (30.julho) em Campo Grande - MS. Foto: Reprodução Facebook  

MOBILIZAÇÃO

Duas ex-vereadoras estavam presentes, Luiz Ribeiro (PT) e Carla Stephanini (PSD). Ex-secretária municipal de Políticas Publicas de Defesa dos Direitos da Mulher, Carla disse que é fundamental a sociedade estar mobilizada e vigilante para bloquear a violência e, se possível, antecipar-se com antecedência. “Não podemos permitir que isso aconteça, que se repita, que seja banalizado”, afirmou.

Local onde o corpo da jovem foi deixado. Foto: Reprodução 

Militante de movimentos dos direitos humanos, Luiz Ribeiro endossou: “Não importa de onde venha, não importa o contexto. Todo tipo de violência, física ou não, precisa ser combatida e prevenida, principalmente quando os alvos são os segmentos mais visados, como as mulheres e as crianças”, comentou.

Morador do bairro, o jornalista e escritor Edson Moraes disse à mãe de carla: “A morte de sua filha não terá sido em vão. Ela viveu com dignidade a sua vida. E agora, precisa continuar vivendo em todos nós, caminhar com nossos passos, abraçar com os nossos braços, lutando nas nossas lutas”.

E concluiu: “Pedir proteção de Deus todos devemos pedir. Mas Deus sempre fez a parte dele, Deus não falta. Quem não está fazendo a sua parte, quem está faltando é o próprio homem, quando cultiva ou tolera a desigualdade e as injustiças. É da desigualdade, das injustiças e do silêncio dos bons que nascem todas as formas de violência”.

CORAGEM E DIGNIDADE

Duas das organizadoras do ato, Telma Lima e Fátima Cardoso, destacaram a coragem e a dignidade da família Santana, sobretudo da mãe de Carla, dona Ivani, que recebeu dos manifestantes um abraço coletivo. “Nossa intenção é trazer solidariedade, mas também cobrar providências efetivas das autoridades, mostrar que estamos unidas no propósito de evitar que mulheres continuem a morrer de forma violenta em Campo Grande”, frisou Telma Lima.

A Polícia ainda não tem pistas seguras que ao menos possam sugerir a autoria ou as causas do assassinato. Por isso, ainda não é possível qualificar se foi ou não crime de feminicídio,   quando a vítima é morta pelo fato de ser mulher.

Todavia, já existem algumas informações sobre a possibilidade de seguir algumas linhas de investigação. Os registros da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Publica (Sejusp) informam que, oficialmente, até o final da semana 18 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul.