06 de agosto de 2020
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CAMPO GRANDE (RJ)

Bilhete fotografado pelo filho livra mãe de cárcere privado de 8 anos

Rotina de tortura impressionou até a própria delegada responsável pelo caso

Homem de 49 anos, suspeito de manter a própria esposa em cárcere privado, foi preso em flagrante em casa, nesta 4ª-feira (8.julho), em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ). O que levou a polícia à prisão foi um bilhete da vítima, uma mulher de 46 anos, enviado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) Oeste pelo próprio filho do casal, que o fotografou o 'pedido de socorro'. Rotina de tortura que impressionou até a delegada responsável pelo caso. A vítima contava estar sofrendo agressões físicas e violência psicológica havia 8 anos.

“Ele fica o tempo todo atrás de mim, vendo o que faço e me ameaçando”, diz um trecho da mensagem.

A delegada Mônica Areal contou que deve ouvir a vítima nesta quinta (9) e saber detalhes sobre o tratamento agressivo que ela recebia do marido. No momento da prisão em flagrante, o suspeito não resistiu à prisão e não fez qualquer comentário sobre a situação.

"Ela estava muito nervosa e mal conseguia falar. Contou que tentou fugir, mas não conseguiu. Procurou a delegacia, mas não conseguiu formalizar a queixa. Ela vivia tão oprimida, tão dominada pelo marido que, no momento da prisão, ficou quietinha, calada num canto da porta. Deu para perceber o nível de dominação que ele tinha sobre ela", contou a delegada.

O filho da vítima também estava muito nervoso quando foi à Delegacia, levando a foto do bilhete no celular. Ele contou que a família estava desconfiada de que alguma coisa não estava normal entre o casal e, nas poucas vezes que conseguiu visitá-los, a mãe permanecia calada, num canto.

“Ontem, durante uma visita, numa distração do marido, o filho conseguiu fotografar o bilhete e trazer aqui à delegacia. Ele veio acompanhado de um outro parente, que também estava desconfiado da maneira retraída com que a vítima se comportava. Mas como ela não tinha liberdade para usar o telefone nem receber visitas, porque o marido estava sempre ao lado, eles não tinham como saber exatamente o que estava se passando com a vítima”, disse a delegada.

Fonte: Com informações do G1