31 de outubro de 2020
Campo Grande 26º 18º

CPI Mista da Petrobras define hoje plano de trabalho

O presidente da CPI Mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), deu um dia para que os integrantes da comissão examinem melhor o plano de trabalho apresentado nesta segunda pelo relator, deputado Marco Maia (PT-RS). Assim, a CPI volta a se reunir na terça (3), às 14h30, para tentar definir o plano.

A proposta do deputado prevê que sejam ouvidos, em um primeiro momento, os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. Logo em seguida seria convocado a depor o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, sob a acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Costa também foi preso na operação, mas acabou libertado neste mês por decisão do ministro do STF Teori Zavascki.

O plano de trabalho do relator da CPI mista prevê também que o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli e a atual presidente, Graça Foster, só prestem depoimentos em uma segunda fase, após a análise de documentos.

- Ela (Graça Foster) já foi ouvida em três oportunidades na Câmara e no Senado, inclusive na CPI do Senado. Ouvi-la agora sem ter mais informações e sem ter os dados da Operação Lava Jato é ouvir o mais do mesmo. Precisamos de mais informações para que, quando ela venha, possa contribuir de forma decisiva - argumentou.

Além da votação do plano de trabalho, Marco Maia pretende colocar em exame 227 dos 609 requerimentos já apresentados. Ele disse que escolheu os que estão mais de acordo com os objetivos da CPI - muitos pedem quebras de sigilos.

- Acredito que as quebras devem ser feitas à medida em que vamos investigando. Ao mesmo tempo, vamos requerer todas as informações da Operação Lava Jato. Nestes documentos, vem um conjunto de quebras de sigilos de várias pessoas. Estamos numa primeira fase da CPI recolhendo documentos para, a partir disto, trabalharmos novas informações.

'Modesto e estratégico'

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) avaliou como "modesto e estratégico" o plano de trabalho do relator da CPI. Ele criticou o que considerou uma economia nas quebras de sigilos, em contraste com um número exagerado de depoimentos.

- Isso é uma estratégia para empurrar para frente o depoimento de pessoas importantes, como o doleiro (Youssef). O correto é estabelecermos prioridades. E o correto é ouvirmos aqueles que realmente estão envolvidos, conforme indicam a Justiça do Paraná e o Ministério Público. Acho importante começar a CPI com os fatos mais importantes desse escândalo.

Alvaro Dias, bem como outros parlamentares da oposição, sugeriu a criação de quatro sub-relatorias para facilitar o trabalho do relator. Marco Maia, no entanto, alegou que essa providência ainda não é necessária.

- Temos quatro eixos muito bem delimitados. No decorrer do processo, não hesitarei em pedir a criação de sub-relatorias, mas não é o caso neste momento - disse o relator.

Marco Maia também informou que a CPI Mista da Petrobras deverá se reunir duas vezes por semana e defendeu o compartilhamento das informações já obtidas pela CPI exclusiva do Senado. O relator dessa comissão, José Pimentel (PT-CE), disse que a decisão cabe ao presidente da CPI, senador Vital do Rêgo.

Ambas as CPIs têm quatro objetos de investigação: o processo de aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobras pela holandesa SBM para obtenção de contratos; relatos de falta de segurança para os trabalhadores em plataformas de petróleo; e indícios de superfaturamento na construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

Agência Senado