25 de novembro de 2020
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BARBÁRIE

Ex-funcionária que teve relação com fazendeiro é executada após ter filho

Vítima trabalhou na propriedade do fazendeiro em Casca (RS) durante 3 anos

Um triplo homicídio ocorrido há pouco mais de um mês ganhou enredo típico de romance policial após detalhes do caso serem relatados à imprensa nesta 2ª-feira (28.junho). No relato, a polícia data em 19 de maio o assassinato de Diênifer Padia, de 26 anos, por asfixia ao lado do cunhado Alessandro dos Santos, de 34 anos, e da sobrinha Kétlyn Padia dos Santos, de 15 anos.

Um fazendeiro, de 42 anos, foi preso na manhã do último sábado (27.junho) na cidade de Casca, Rio Grande do Sul. Ele é apontado como um dos mandantes do assassinato de Diênifer.

As três vítimas foram encontradas amarrados, já sem vida, dentro de uma casa em Passo Fundo (RS), a 289 quilômetros de distância da Capital, Porto Alegre.

Além do fazendeiro, a mulher dele e o cunhado também teriam envolvimento no triplo assassinato e não foram localizados durante cumprimento de mandado de prisão, por isso são considerados foragidos. Um ex-policial militar, exonerado da corporação há mais de 20 anos, já está detido desde 19 de junho.

Segundo a polícia, Diênifer trabalhou na propriedade do fazendeiro em Casca (RS) durante 3 anos, manteve uma relação extraconjugal com o chefe e engravidou. A esposa do fazendeiro descobriu o romance e Diênifer acabou demitida em março deste ano. A jovem retornou para sua cidade de origem, Passo Fundo (RS) na esperança de lá poder criar sua criança em paz.

Mas, de acordo com a investigação. “Ela recebeu uma caixa de sapato com uma boneca, sem membros e com manchas vermelhas como se fossem sangue, ameaçando-a de morte” disse a delegada responsável pela investigação, Daniela Minetto, salientando que a jovem registrou um Boletim de Ocorrência sobre o fato. 

Na mesma época da denúncia, saiu o resultado do exame de DNA apontando a paternidade da criança ao ex-chefe de Diênifer. “Ele soube extraoficialmente do resultado, já que o fórum cessou as atividades em razão da covid-19”, disse a delegada.

Diante dos fatos, segundo os investigadores. Diênifer recebeu uma casa e um cartão de crédito para custear as despesas com a criança, hoje com um ano e meio. Ela também se preparava para abrir uma loja de roupas após o fim da pandemia.

Segundo a delegada, após o resultado do DNA, a mulher do fazendeiro pediu ajuda ao irmão para articular o assassinato de Diênifer. Eles contrataram um ex-policial militar para executar o crime.

Na residência do ex-PM apontado foram encontrados R$ 17,5 mil em dinheiro, além de drogas e armas. As investigações dão conta de que ele teria recebido de R$ 25 mil a R$ 30 mil que matasse a amante. A polícia acredita que o cunhado e a sobrinha foram assassinados para não deixar testemunhas.

“Mataram pai e filha como queima de arquivo, para não ter testemunha. Os executores previam que pudesse ter mais gente na casa. Eles foram preparados para matar mais gente, pois tinham diversos lacres que usaram para asfixiar as vítimas”, disse a delegada, afirmando que o ex-PM contou com a ajuda de outros comparsas que ainda estão foragidos.

Os quatro envolvidos podem responder por homicídio com as seguintes qualificadoras (que geram aumento da pena): pagamento de recompensa, asfixia, emboscada e feminicídio.

Em depoimento, a ex-patroa negou participação no crime, mesma linha seguida pelo marido. "Ele disse que assumiu o relacionamento e que deu de bom grado a casa e o cartão de crédito. Negou qualquer participação nas mortes", conclui a delegada.

Além da menina de um ano e meio, Diênifer deixa dois outros filhos: dois meninos, um de seis e outro de três anos.

Fonte: DCM