05 de dezembro de 2020
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ESTELIONATÁRIO

RSI: golpe de pirâmide com autoridades faz vítimas em MS

Advogada diz que juízes, políticos e policias estavam entre investidores de empresa que aplicou golpe milionário em MS

Policiais, juízes, empresários e advogados de Mato Grosso do Sul participaram de empresa que aplicou golpe de pirâmide no estado. Segundo, advogada enganada no esquema, a empresa teria causado prejuízos à vários cidadãos sul-mato-grossenses. Boletins de ocorrências foram registrados na Delegacia de Pronto Atendimento de Dourados (Depac), contra o suspeito, identificado como Diego Rios dos Santos, natural de Mariri, na Bahia. Outro homem que estaria envolvido no esquema se chama Renato Vasquez Alderete, apontado como mediador a RSI. Além deles, uma terceira mulher seria responsável por recrutar pessoas para o grupo, essa identificada como Lucelena da Silva.

Conforme denúncias, o homem teria lucrado milhões por meio de uma empresa de faturamento chamada “RSI Consultoria e Investimentos”. De acordo com as vítimas, Diego está desaparecido, e o delegado lotado na Primeira Delegacia de Polícia de Dourados, Winston Ramão Albres Garcia, onde estão registrados os boletins, teria elegido às vítimas a responsabilidade do prejuízo. “Ele disse que não podia fazer nada, a culpa era nossa que investiu”, disse a advogada vítima. 

A reportagem procurou o delegado, que negou ter falado com alguma vítima. Disse que, o caso está sob investigação e que qualquer informação seria leviana e prematura. 

CONVITE

“Inicialmente, fechei um contrato com a RSI, por meio do Senhor Renato, no valor de R$ 2000,00. Enviei as documentações necessárias a fim de apenas observar como tudo acontecia. O contrato eu enviei pelo Whatsapp, com firma reconhecida em cartório, e fiquei no aguardo da assinatura da empresa, mas nunca me enviaram. A transferência bancária desse valor se deu em 14 de maio de 2019”, afirmou uma denunciante que pediu para ter a identidade preservada. 

‘Você já pensou em investir seu dinheiro e faze-lo render até 10% AO MÊS?’, é o que promete um dos documentos enviados pela empresa aos investidores, veja abaixo:

O esquema, segundo a denunciante lhe causou um prejuízo de R$ 15 mil, mas conforme ela, até autoridades estariam envolvidas nas aplicações. “Tinham juízes, políticos, policiais, e empresários. – Gente que investiu R$ 100 mil, outras R$ 1 milhão”, revelou. 

'DAY TRADE'

Na internet, várias pessoas denunciam golpes aplicados pela RSI. Conforme a denunciante, ela teria participado até de uma palestra ministrada no Sebrae em Campo Grande, onde os suspeitos realizaram um mini curso de Day trade (do inglês: ‘Dia de negócios’) que ocorreu entre os dias 23 e 24 de agosto às 18h30, ministrada por um homem identificado como “Pedro”. O espaço foi locado no Sebrae por uma mulher chamada ‘Lucelena da Silva'.

O MS Notícias entrou em contato com o Sebrae, que informou que todas as contratações são publicadas no portal da transparência do Sebrae. Quanto ao aluguel de salas, a empresa informou que as pessoas que querem utilizar o espaço, fazem um contrato de locação e não é de responsabilidade do Sebrae o que é conduzido nas reuniões, aulas ou palestras.

“Eu ouvia muito falar desse Pedro, mas nem sabia quem era. Me falavam que era o melhor Trader do Brasil. Pesquisei o ranking e nunca achei nada nesse sentido. Fui ao curso no Sebrae e lá, tive contato com uma das corretoras que estava na organização de todo o evento, a corretora Lucelena”, completou. 

DESAPARECIMENTO 

O site da RSI deixou de funcionar em 13 de dezembro de 2019, na ocasião, causando prejuízo de mais de R$ 20,4 mil à advogada.   

Ainda conforme a vítima, em 26 de dezembro de 2019 ela descobriu, por meio de uma amigo, que o nome do ‘Pedro’ era na verdade Diego Rios dos Santos, o suspeito de ser autor do estelionato.

No final de todo o imbróglio, em um grupo no Whatsapp, Lucelena se teria se posicionado como sendo vítima da RSI e excluiu todos os integrantes do grupo, informando que o grupo estaria fechando as portas.

“O mistério que realmente importa a todos no momento é: para onde foi o dinheiro? E se realmente existe, como fazer para bloquear esse valor?”, finalizou a vítima. Pelo menos duas mil pessoas tiveram prejuízo milionário em todo o país.