23 de novembro de 2020
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PESQUISA QUEST

54% dos brasileiros consideram que o país piora com governo Bolsonaro

Já 21% dos entrevistados consideram o governo ótimo e bom

A pesquisa Quaest, divulgada em primeira mão pelo Jota nesta 2ª-feira (22.junho) mostra que 54% dos brasileiros consideram que o país está piorando.

O mesmo percentual que considera o governo de Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, — o maior índice em todas as avaliações desde a primeira avaliação, em novembro de 2019.

Já 21% dos entrevistados consideram o governo ótimo e bom e, 23%, regular. Está crescendo a avaliação negativa por parte dos eleitores que votaram no presidente. E sua base mudou: o maior grupo de apoio está entre pessoas que ganham até 2 salários mínimos, escreveu o Jota. 

Tudo indica que a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz tenha inflado a insatisfação popular. Isso porque os filhos de Bolsonaro vieram a público defender o então suspeito de rachadainha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Queiroz, e também, o fato de Fabrício estar alojado em uma casa do advogado dos Bolsonaros, o advogado Frederick Wassef.   

O Índice de Popularidade Digital, baseado em dados de Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Google e também Wikipedia, indica que o presidente perdeu 25% de popularidade e chegou a 58,7 pontos — seu pior na série histórica. O ex-ministro Sérgio Moro chegou no sábado a 41,4 pontos. Estava com 22 na medida anterior, segundo a Folha de S.Paulo. 

As mulheres dos oficiais militares mais graduados, em seus grupos de WhatsApp, também incrementaram as críticas ao presidente. “Nem a saída do ex-juiz Sergio Moro do governo nem a postura negacionista de Bolsonaro sobre a pandemia haviam espantado essas apoiadoras”, escreveu Andrea Jubé. Queiroz alojado na casa do advogado mexeu. Ampliou o desgaste entre presidente e quartéis, disse o Valor Econômico. 

No revés, o ministro Alexandre de Moraes determinou que os parlamentares não podem apagar o que publicaram nas redes sociais sobre os atos antidemocráticos. Devido investigações em curso contra os atos de criminosos virtuais e ataques de ódio à Corte.

A preocupação de Moraes é motivada pelo levantamento da Novelo Data que constatou que 2.015 vídeos publicados por canais bolsonaristas desapareceram da plataforma desde o início de junho. Pelo menos 37 produtores diferentes começaram a apagá-los, revelou o blog Sonar. São justamente aqueles investigados pelo Supremo.  A ação pode ser considerada destruição de provas de crimes. 

Segundo Thaís Oyama, Frederick Wassef — que abrigava Queiroz — chegou a planejar o sequestro do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

O que caiu também foi a portaria assinada no último minuto pelo ex-ministro Abraham Weintraub, que acabava com cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência em cursos de pós-graduação. O Supremo havia dado 48 horas para a Advocacia Geral da União se manifestar sobre o tema. Ministério Público e Tribunal de Contas querem saber, por outro lado, se o Ministério das Relações Exteriores têm algo a ver com a entrada de Weintraub nos EUA, para onde se mudou às pressas após sua demissão. A portaria foi revogada pelo Ministério da Educação (MEC).

A professora Claudia Costin, da FGV e de Harvard, recusou convite para assumir o ministério. O receio do governo é que pode haver uma série de recusas por nomes qualificados, informou Basília Rodrigues, da CNN Brasil. 

Fonte: MEIO