01 de dezembro de 2021
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Tapa-Buraco

'A verdade prevalecerá', diz Nelsinho sobre acusações

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O ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PTB), convocou uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (24) para prestar esclarecimentos sobre a determinação do bloqueio bens dos 21 acusados de terem favorecido a empresa Selco Engenharia, responsável pelo serviço de tapa-buraco em Campo Grande.

Segundo Nelsinho, em documentos apresentados a imprensa, a identificação da necessidade da execução dos serviços de tapa buraco na Capital durante a sua gestão funcionava da seguinte maneira: “Quando a necessidade do serviço for detectada pelo encarregado da equipe, o mesmo deverá solicitar a presença de pelo menos dois moradores da rua onde será executado o serviço, que deverão assinar termo de vistoria” para a obra ser feita.

Ele afirma que quinzenalmente ele recebia esses documentos, “muitas vezes sujos de piche”, para evitar qualquer desvio ou fraude durante a realização do serviço. Essa informação foi publicada no DIOGRANDE em 27 de junho de 2011, depois que a existência dos “buracos fantasmas” foi denunciada por moradores de bairros atendidos pela empresa na época. Segundo ele, o atual prefeito Alcides Bernal (PP) interrompeu essa prática na sua gestão.

Sobre a decisão do Ministério Público Estadual (MPE) de reabrir o inquérito civil, arquivado em 21 de maio de 2014 por não se comprovar nenhuma irregularidade na prestação de serviço na “Operação Tapa Buracos”, Nelsinho disse que “o Ministério Público tem o dever constitucional de apurar denúncias e irregularidades”.

“Não tive a oportunidade de prestar esclarecimentos, o que buscarei fazer para que se chegue à verdade. A aparição do meu nome, e da minha equipe de trabalho, constitui injustiça que será oportunamente reparada”, disse ele em nota de esclarecimento.

Sobre o MPE ter apontado superfaturamento de 88%, comparado ao preço de mercado, no preço da tonelada do CBUQ e da mão de obra cobrada pela Selco Engenharia, Nelsinho afirma que essa informação não é verdadeira e que os valores cobrados na época se baseavam na tabela de preços do Sistema Nacional de Preços e Índices para a Construção Civil (SINAP).

Com relação ao bloqueio de bens ele brincou e disse que “nem se juntar cinco gerações da minha família, eu não tenho como ter esse dinheiro”. Nelsinho afirma querer saber qual o fato novo que fez com que o MPE reabrisse as investigações de um inquérito civil já arquivado por falta de provas concretas de irregularidades.

“Do primeiro ao último dia de gestão, após ter feito mais de 1.000 obras em Campo Grande, quando a cidade era outra, forte pujante e dinâmica, em nenhum instante faltamos com os postulados éticos na administração pública”, afirma ele.

Nelson Trad Filho disse que no meio de tudo isso existe um componente político e que é lamentável “que em ano eleitoral, fatos que já foram arquivados ressuscitem sem qualquer prova nova a justificar”. Ainda segundo ele quem tiver dúvidas sobre o serviço de tapa buracos na Capital durante a sua gestão, “basta perguntar para que morava aqui”, “Campo Grande era reconhecida pela qualidade de vida e não por ser a Capital dos buracos”.