25 de novembro de 2020
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RACHADINHA ALERJ

'Acharam' o Queiroz; foi preso nesta 5ª-feira no interior de São Paulo

Ex-PM, investigado por esquema da rachadinha no gabinete do então deputado na Assembleia Legislativa do Rio, foi preso hoje em imóvel do advogado de Flávio e Jair Bolsonaro

Na manha desta 5ª-feira (18), acabou preso o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, o Fabrício Queiroz, estava em Atibaia (SP). O ex-policial-militar estava no imóvel de Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro.

Os mandados de busca e apreensão e de prisão foram expedidos pela justiça do Rio de Janeiro, num desdobramento da investigação que apura esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Fabrício José Carlos de Queiroz é um ex-policial-militar e foi assessor parlamentar do gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro. 

Queiroz passou a ser investigado pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro após um relatório do Coaf, revelado pelo jornal 'Estado de S. Paulo’ em dezembro de 2018, apontar movimentação atípica em sua conta de R$ 1,2 milhão.

De acordo com o 'Estado', em abril de 2019, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário de Queiroz, do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e de outras 84 pessoas e 9 empresas entre 2007 e 2018.

Os promotores sustentam que há indícios robustos de que uma organização criminosa comandada por Flávio e operada por Queiroz desviou recursos públicos por meio da devolução parcial de salário pelos assessores, prática conhecida como “rachadinha”, e lavou dinheiro fazendo transações imobiliárias com valores de compra e venda fraudados.

Também alvo das investigações, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) disse nesta quinta-feira em sua conta no Twitter que encara com tranquilidade a prisão de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

“Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, argumentou.  

 Ao decretar a prisão preventiva de Queiroz, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do TJ do Rio, avaliou que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, poderiam atrapalhar as investigações, ameaçando testemunhas e investigados, se continuassem soltos. A garantia da continuidade das investigações e produção de provas é um dos requisitos legais para a decretação de prisão preventiva. O juiz cita mensagens de Márcia, colhidas em ação anterior de busca e apreensão pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ). Nas mensagens, ela dizia que Queiroz, mesmo escondido, continuava dando ordens para constranger testemunhas. Márcia chegou a compará-lo a um bandido "que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo". O juiz também decretou a prisão de Márcia, mas ela ainda não foi localizada. O caso corre em sigilo.