18 de junho de 2021
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AJ põe lenha na fogueira e desafia ex-aliados

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Em rota frontalmente contrária a de ex-parceiros de alianças políticas e eleitorais - como o prefeito Gilmar Olarte (PP) e os ex-prefeitos André Puccinelli e Nelsinho Trad, do PMDB -, o empresário Antonio João Hugo Rodrigues, presidente estadual do PSD, ensaia mais uma vez candidatar-se à Prefeitura de Campo Grande. Se das vezes anteriores em que cogitou entrar no páreo sucessório as pesquisas não lhe eram muito favoráveis, agora o polêmico AJ – como também é conhecido – afirma possuir recente amostragem de intenções de voto que o estimulam.

Foi em sua page do Facebook de sábado (21/02) que ele revelou, sem dar mais detalhes sobre os números, ter encomendado uma pesquisa cujo resultado, afiança, pode persuadi-lo a entrar na disputa em 2016. Esta é, na íntegra, a manifestação de AJ na mídia social: “Com base em pesquisa eleitoral que encomendei e recebi hoje, posso dizer que vou tentar viabilizar minha candidatura para a Prefeitura de Campo Grande. Estou muito bem na preferência dos eleitores. Não serei, porém, candidato de mim mesmo. Espero apoio entre os eleitores e lideranças políticas”.

O curioso é que AJ manifestou esse desejo no mesmo dia em que o jornal de sua propriedade – “Correio do Estado”, principal diário impresso do Estado – levava às ruas uma pesquisa que o PSD-MS contratou para acarear a preferência dos eleitores entre o ex-governador André Puccinelli e seu sucessor Reinaldo Azambuja, numa hipotética simulação de um confronto eleitoral entre ambos apenas 45 dias depois de iniciada a atual administração estadual.

A amostragem, feita pelo Instituto Projeção junto a 1.036 eleitores campo-grandenses, apurou que – se a sucessão fosse disputa neste sábado – Puccinelli teria 29,40% dos votos e derrotaria Azambuja, que recebeu 24,10% de indicações dos entrevistados. O senador petista Delcídio Amaral – derrotado por Azambuja no segundo turno em 2014 – ficou em terceiro na pesquisa da Projeção, com 11% das intenções de voto.

Para candidatar-se a prefeito, AJ precisaria pavimentar seu caminho em alguns complexos roteiros políticos e eleitorais. A arrancada, conforme ele mesmo diz, tem o alicerce das pesquisas que encomendou. O próximo passo é um dos mais complicados: tornar-se politicamente viável. E isso implica desobstruir a pista por onde pretende avançar – nela está a concorrência de partidos e lideranças fortes, como o PMDB de Puccinelli, do ex-prefeito Nelsinho Trad e do deputado estadual Marquinhos Trad; o PT de Delcídio Amaral e Zeca do PT; o PSDB de Reinaldo Azambuja, que tem sua vice-governadora Rose Modesto como principal opção para esse enfrentamento.

O PSD de AJ pode ganhar um oxigênio novo com o ingresso de lideranças que não conseguem mais respirar nas legendas em que estão, como os irmãos Trad (Marquinhos, Nelsinho e o ex-deputado federal Fábio Trad) e até o prefeito Gilmar Olarte, sofrendo terrível incômodo dentro do PP, que é controlado pelo seu correligionário e desafeto, Alcides Bernal. Neste final de semana AJ recebeu Puccinelli para um almoço e longa conversa. Pode ser que esteja sondando o ambiente para avaliar se o ex-governador vai ou não candidatar-se à Prefeitura.

Em 2014 AJ candidatou-se a senador. Ficou em 4º lugar com 86.971 votos, atrás de Alcides Bernal, do PP (204.262); Ricardo Ayache, do PT (281.022); e Simone Tebet, do PMDB, a eleita com 640.336 votos.