22 de junho de 2021
Campo Grande 28º 16º

AL: deputados reconhecem polarização entre Teixeira e Mochi

A- A+

Três parlamentares se mantêm no páreo como pretendentes à presidência da Assembleia Legislativa. Dois são da base governista original: Zé Teixeira (DEM) e Onevan de Matos (PSDB), integrantes da coligação que elegeu o governador tucano Reinaldo Azambuja. O terceiro postulante é o peemedebista Júnior Mochi, adversário de Azambuja no primeiro turno – quando defendeu a candidatura de Nelsinho Trad (PMDB) – e seu apoiador no segundo, ajudando-o a derrotar o petista Delcídio Amaral .

Com essas três opções, o governador estaria livre de encarar um oposicionista na presidência da Casa nos próximos dois anos. Porém, não faltam desafios a Azambuja no mosaico da sucessão parlamentar. Um, é sair da posição de magistrado e decretar sua preferência, decisão aguardada especialmente pelos governistas. Outra demanda complexa será pavimentar os processos de consenso – leia-se chapa única – e de definição quantitativa da sua base de sustentação. Afinal, Azambuja só elegeu cinco deputados estaduais, embora no segundo turno tenha arregimentado 10 eleitos por outras coligações.

Diversos deputados consultados quarta-feira, 14, pelo MSNotícias, opinaram que a disputa pela presidência já está polarizada entre Teixeira e Mochi. O primeiro porque, segundo os colegas, suscita nos interlocutores a impressão de que já conta com o incentivo do governador, que por enquanto evita se posicionar. Mochi aposta na soma de votos do PMDB, PT, PR, PTdoB, PP e PSB. Desses partidos, só o PR e o PT prometem votar em bloco. No PMDB, cinco deputados estão com Mochi e um, Marquinhos Trad, não se decidiu. No PTdoB, Márcio Fernandes e Mara Caseiro estão divididos.

AS OPINIÕES -  Para Onevan de Matos, a eleição da Mesa Diretora é sempre enquadrada num modelo fundamental, que põe o governador como o dono da última palavra. Por isso, revela que ele e Zé Teixeira aguardam a manifestação específica de Azambuja. “Conversamos com todo mundo, não há nenhuma barreira, mas é preciso ter essa posição do governador. Ele tem todo direito de querer alguém de sua base na presidência”, afirma. “E se for o caso buscaremos o apoio de todos os partidos, do PT, da oposição, não há problema algum”, acrescenta.

Zé Teixeira também é da opinião que o governador tem legitimidade para opinar e atuar pela eleição de um aliado, embora seja um respeitador da autonomia do poder. No entanto, nega haver disputa. “Eu não estou disputando. Nós todos estamos conversando, temos propostas, ideias. Sou apenas mais um. O Paulo Corrêa pleiteia, o Mochi também, o Onevan. Todos têm condições. O que importa, acima e tudo, é o entendimento, é buscar o consenso”, avalia.

Segundo Teixeira, o governador precisa ter uma base sólida no Legislativo, mas isso não será condição para a composição da Mesa. Diz que, de sua parte, vem dialogando com todos. “Conversei com o Corrêa (Paulo), que disse que me apoia e anseia um espaço na Mesa, a primeira-secretaria. Conversei com o Zé Carlos Barbosa, converso com o PT, não há restrição. Fui amigo do governador Zeca do PT, ajudei seu governo e sou amigo dos quatro deputados que se elegeram agora”, salientou. Teixeira diz que se for honrado com a presidência, fará uma gestão moderna, transparente e com efetiva participação de todos os deputados e partidos.

PT E PR – O petista João Grandão é outro que vê a disputa polarizada entre Mochi e Teixeira. Assinala que o partido votará em bloco e que até agora as únicas conversas foram com o peemedebista, mesmo sem fechar questão. “Com um candidato do Azambuja é difícil para o PT fazer composição. É minha opinião. Tivemos uma eleição, um confronto recente e todos viram ao nível que chegou. Há uma distância muito grande entre o PT e o PSDB e o DEM. E há uma proximidade entre o PT e o PMDB na ótica da conjuntura nacional e dos partidos nacionais”, sinalizou.  O deputado avisa que o PT se posicionará “na hora certa”, informando a sociedade sobre quem apoiará e os motivos.

A deputada Grazielle Machado (PR) cona que seu partido vai fechar posição, com o manifesto dos dois parlamentares, ela e Paulo Corrêa. “Temos duas opções em busca dos nossos votos, o Mochi e o Zé Teixeira. São dois bons nomes. Está polarizado o processo, mas o consenso acredito ser o melhor caminho”, destaca. A seu ver, o PR tem a pretensão legítima de caminhar junto com as boas propostas e ocupar espaço na administração da Casa. Mas, ressalva: os republicanos não misturam eleição da Mesa Diretora da AL com formação da base de governabilidade de Azambuja. “O PR é independente. Vai contribuir com o governo, com as ações do governador em defesa do interesse público. Mas, pessoalmente, eu digo: não fiarei sob a sola do sapato de ninguém”.

Edson Moraes