12 de junho de 2021
Campo Grande 25º 14º

AL e Assomasul: governo trata disputas com cautela e respeita protagonistas

A- A+

A Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) e a Assembleia Legislativa estão cozinhando o processo para escolha de seus próximos dirigentes. Há, inevitavelmente, disputas internas e externas envolvendo interesses a curto e médio prazos. Cada uma destas eleições – quase simultâneas - é importante e tem seu próprio peso político, embora a principal expectativa gire em torno do que pode ocorrer na sucessão da Mesa Diretora do Legislativo.

A Assomasul representa as prefeituras de Mato Grosso do Sul. A entidade é a interlocutora de 79 prefeituras. São 79 municípios cujos prefeitos, vices e vereadores, além das pautas municipalistas rotineiras, viverão no próximo ano um enfrentamento eleitoral e tentarão emplacar seus projetos. Natural que o governo e a oposição se interessem por esta agenda de início de ano, ainda que o controle político da Associação pouco possa influir nas definições do eleitorado em 2016.

No caso da Assembleia Legislativa, a conta política da disputa é semelhante à da Assomasul no que diz respeito ao olhar e à relação entre os operadores políticos, no caso os poderes e as instituições. O Executivo precisa medir bem as distâncias e sopesar as atribuições, para preservá-las em suas respectivas autonomias. Contudo, os fatores da operação eleitoral se distinguem, em muito, e contêm fatores únicos, quando governo e oposição medem forças.

A presidência da AL é, antes de tudo, um cargo de elevada importância política e institucional, que põe seu ocupante na linha direta da sucessão estadual, pois é quem assume o Governo em caso de vacância por impedimento do governador e do vice. Mesmo sem a caneta do Executivo, o presidente da Assembleia – conforme o tamanho e a qualidade de sua aptidão para o complexo mister – precisa ter, obrigatoriamente, um perfil que lhe confira autoridade e liderança para definir o nível e a textura das relações entre os poderes, administrar e controlar tensões, propiciando a saúde da convivência em momentos de crise.

As eleições estaduais de 2014 consagraram a terceira via. Reinaldo Azambuja, do PSDB, foi eleito governador, derrubando rivais que na arrancada pontuavam como favoritos: Delcídio Amaral, do PT, e Nelsinho Trad, do PMDB. Azambuja atropelou os concorrentes e virou governador. Só não fez barba, cabelo e bigode porque sua coligação não conseguiu fazer maioria na Assembleia, elegendo apenas meia dúzia dos 24 deputados estaduais.

Ainda que no segundo turno tenha recebido em seu palanque deputados eleitos por ouras coligações, o tucano começou seu governo ainda sem a certeza de que terá maioria folgada para defender os interesses do Governo nas votações do Parlamento. Há quem entenda, por isso, que a eleição da Mesa seja o grande teste para Azambuja medir matemática e politicamente o tamanho de sua maioria. E é aí que a Governadoria vem dando demonstração de sabedoria ou, a quem preferir, de conhecimento estratégico.

Envolto pelos problemas que herdou e com várias respostas de governança que precisam ser dadas a curto prazo, Azambuja antes de assumir preparou o terreno político para transitar com segurança na relação com os poderes. Evitou, de início, declinar ou lançar candidatos à AL e à Assomasul. Fez mais: respeitou a liturgia de cada instituição, calibrou as distâncias e, sem ingerência, colecionou diálogos, um a um, deixando evidentes as intenções e administrar em parceria e respeitar a autodeterminação de cada um. Se ainda não conquistou votos dos adversários – até porque não se propõe ao papel contraditório de cabo eleitoral - ao menos granjeou consideração e respeito.

Se ainda não há consenso na eleição da Assembleia, a ideia parece prosperar na Assomasul. De seis pré-aspirantes à sucessão do atual  presidente Douglas Figueiredo (prefeito de Anastácio), o duelo municipalista foi reduzido a dois e, ao que tudo indica, abriu-se a porta para a chapa única. O prefeito de Amambai, Sérgio Diosébio, do PMDB, pode ter sido convencido abrir mão em favor de Juvenal Neto, de Nova Alvorada do Sul.

Para a Assembleia, a base original de Azambuja tem os nomes de Zé Teixeira (DEM) e Onevan de Matos (PSDB). O PMDB, por enquanto órfão de André Pucinelli e distante de Nelsinho Trad, está unido com a candidatura e Júnior Mochi. O governador trata com cautela e supera-se em paciência para não forçar situações superficiais. Quer que a Assembleia e os deputados o vejam e o sintam respeitando-os. E isso implica não impor nomes, não cabalar votos e, muito menos, não ausentar-se do processo. Em suma, esforçar-se para não confundir os papéis.

Para sacramentar essa postura, a interlocução política do governador carimba os primeiros avanços, tendo como fiadores do diálogo os secretários Sérgio de Paula (Casa Civil) e Eduardo Riedel (Governo e Gestão Estratégica). Ambos demonstram ter assimilado em toda sua profundidade a proposta conceitual de Azambuja para os quatro anos de administração. É com essa bagagem , amadurecida por convivências políticas, sociais e corporativas, que o território de entendimentos se estrutura.

Edson Moraes