27 de outubro de 2020
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URNAS E BO

Além de concorrência pulverizada, prefeito enfrenta novas denúncias na campanha

Para saber se conseguirá se reeleger ou não, daqui até à contagem dos votos em novembro  o prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (PSDB), terá que se desvencilhar das incômodas denúncias de corrupção que caem sobre seus ombros. Quando não é um desafeto político, é o Ministério Público (MP) a plantar pontiagudas pedras nos seus sapatos, como acaba de acontecer.

O promotor Luciano Bordignon Conte pediu à Justiça que suspendesse um contato administrativo, o de número 6447/2020. Por esse instrumento, a empresa LC Vaz, que venceu a licitação, receberia dos cofres municipais R$ 3 milhões 789 mil para a prestação de serviços nas áreas de limpeza, asseio, higienização, dedetização, desratização, descupinização e roçada das unidades de saúde.

Ocorre que o MP afirma ter constatado irregularidades graves no processo. Na petição à 5ª Promotoria de Justiça, sustentou que o contrato deveria ser suspenso por não apresentar os documentos para a habilitação exigidos no edital - divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde -, além de não comprovar experiência na prestação de serviços nas áreas hospitalar e de saúde, além de não demonstrar capacidade mínima de 50% de atendimento do número de postos de trabalho a serem abertos.

Em resposta, a juíza de Direito Luiza Vieira Sá de Figueiredo concedeu a liminar e determinou que o contrato fosse suspenso.  A decisão da magistrada veio reforçar as suspeitas de que houve direcionamento da licitação para favorecer a empresa vencedora, conforme diz Bordignon Conte: "A prefeitura, em um primeiro momento, condicionou todos os participantes [da licitação]à observância da quantidade mínima de postos de trabalho, e, depois de encerrada a fase de análise de propostas e habilitação, optou por ignorar a exigência de tal requisito, aduzindo que este acabaria por restringir a participação de pretensos licitantes”.

CONCORRÊNCIA

Se o prefeito confia na sua inocência e na qualidade profissional dos seus advogados de defesa para tocar normalmente sua campanha, a concorrência pulverizada vem a ser mais um obstáculo de grande proporção. Iunes escalou como companheiro de chapa o ex-vereador Dirceu Miguéis, que goza de prestígio no município.

Entretanto, os rivais do tucano capricharam na construção das chapas e entram no tabuleiro buscando ganhar terreno. O ex-prefeito e ex-deputado estadual Paulo Duarte é a escolha do MDB para o confronto. O nome é considerado  competitivo, que traz na vaga de vice-prefeita a fundadora da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Luciana Nery Cândia. Também entra na briga o vereador mais votado de 2016, Gabriel de Oliveira (PSD), que tem como vice o empresário Bruno Miguéis. 

O Avante põe um estreante nas disputas eleitorais, o radialista Adílson Lobo, para prefeito, e Roberto Carlos Iváquia a vice. O PRTB faz a sua aposta na força da mulher, com a professora Joseane Garcia, que tem como vice Ildes Melkquíades. O Psol repete Anísio Guató para prefeito e lançou o agricultor familiar Jairo Barbosa para vice. O PSL, que tem o empresário bolsonarista Elano Almeida na cabeça-de-chapa, homologou para vice-prefeita o nome da professora Maria Berenice, a Professora Berê.