27 de fevereiro de 2021
São Paulo

Eleições

Aliados de Rose querem chapa popular para reverter pesquisas

Fontes seguras indicam questionamentos de manobra para emplacar Mendonça, do Sebrae, na vaga de vice

As pesquisas mais recentes sobre a sucessão em Campo Grande refletem apenas a fotografia do momento e não servem para tranquilizar ou desesperar ninguém. Mas seus números – ao menos os apurados por amostragens registradas na Justiça Eleitoral e divulgadas – são suficientes para delinear algumas características do perfil de um eleitorado cada vez mais exigente, que certamente vai ajustar suas escolhas à medida que o processo for afunilando e as composições político-partidárias estiverem melhor definidas.

A pouco mais de 52 dias do início oficial da campanha e a menos de 100 da abertura das urnas, alguns sintomas do comportamento eleitoral em outubro podem ser constatados nessas pesquisas. Os eleitores, em geral, querem estar plenamente identificados com as candidaturas e os programas que defendem. Essa identificação nada mais é que a antiga e inevitável inserção popular, condição da qual nenhum postulante pode prescindir se quiser ter chances de disputar a eleição e não limitar-se à coadjuvância.]

As pré-candidaturas sujeitas a análise até agora, reveladas espontaneamente ou por meio da mídia, aparecem nas pesquisas exatamente nas posições associadas ao seu grau de identificação com a sociedade. Basta conferir quem aparece nos primeiros lugares: o prefeito Alcides Bernal (PP), deputado estadual Marquinhos Trad (PSD) e o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB). Todos têm, em comum, um traço vigoroso no perfil para fazer o confronto: são populares, com provada e comprovada inserção – melhor indicador não há que as recentes eleições locais que disputaram, quando ambos estiveram entre os mais votados nas urnas de Campo Grande. Nelsinho, em 2008, nem precisou de um segundo turno para se reeleger: teve 288.821 votos, mais que o dobro dos outros quatro rivais, que somaram 115,639. Em 2012, Bernal venceu folgadamente nos dois turnos – no segundo, teve 62,55% dos votos (270.927) contra 37,45% (162.212) de Edson Giroto. E em 2014, Marquinhos foi o campeão das urnas na cidade, com 35.007 votos e a impressionante marca de 8,20% dos sufrágios válidos.

Popularidade também não falta ao nome do PSDB, a vice-governadora Rose Modesto, que segue ocupando patamares intermediários no ranking momentâneo das intenções de voto divulgadas até agora. Ela conquistou em 2008 o primeiro mandato de vereadora, com 7.536 votos (ou 1,87% dos votos válidos. Em 2012, viu seu exército de eleitores aumentar, quando se reelegeu com a segunda maior votação: 10.813 votos (2,50%), perdendo somente para Zeca do PT.

Rose tem atenuantes para o lugar ainda modesto que ocupa nessas pesquisas. Prepara sem estardalhaço a estruturação da campanha, evita as exposições midiáticas e ainda falta experimentar os eventuais benefícios que deve ter ao explorar sua presença no ativismo comunitário e ter sua marcha associada ao prestigiado “padrinho” de sua indicação, o governador Reinaldo Azambuja. Adiante, estes fatores deverão interferir sensivelmente quando a campanha deslanchar.

CHAPA FRIA? – A perspectiva de crescimento da candidatura de Rose Modesto é concreta e reconhecida pelos próprios adversários. Mas é dentro do próprio universo de aliados e simpatizantes do PSDB que desponta aguda preocupação. Nos últimas dias, brotou dos bastidores a informação dando conta que a companhia de chapa da tucana já estaria sendo carimbada pelo PR. A tentativa, atribuída ao deputado estadual Paulo Corrêa e ao presidente da Federação das Indústrias de MS (Fiems), Sérgio Longen, seria emplacar o diretor-superintendente do Sebrae-MS, Cláudio Mendonça.

Sem qualquer experiência em mandatos públicos eletivos e de perfil oposto a uma das condições mais acesas do perfil delineado pela sociedade, Mendonça traria para os gurus dessa temerária engenharia político-eleitoral a garantia do suporte empresarial para o custeio da campanha. A temeridade não está somente na falta de identificação popular do dirigente do Sebrae, mas repousa também no recente histórico de apostas erradas do PR, cujo principal “cartão de visitas” foi entregar-se ao PT e à candidatura do senador Delcídio Amaral na sucessão sulmatogrossense em 2014, apropriando-se da vaga de vice, na qual instalou o decano Londres Machado e submeteu o vitorioso político à única derrota eleitoral em seus mais de 45 anos de vida publica.

A solução pode ser engenhosa do ponto-de-vista político e financeiro e até contribui com o agrupamento de forças empresariais e anti-esquerdistas. No entanto, implica evidente risco eleitoral, haja vista a necessidade de reforçar e amplificar o alcance de uma chapa que enfrenta desde agora concorrentes bem mais fortes nas intenções de voto, porque esta é uma disputa de popularidades. E a considerar o atual posto de Rose Modesto no ranking de acesso à competitividade, o que sua candidatura mais precisa é de reforço na balança e não do que preocupados parceiros podem comparar a um contra-peso de luxo.