08 de dezembro de 2021
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Política

Alta de combustíveis e falta de gestão da União são alvos de críticas na tribuna

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A sessão ordinária desta terça-feira (26), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), foi marcada pelo questionamento das políticas de governo da presidência de Jair Bolsonaro (sem partido). "Hoje tem mais um reajuste do combustível, gasolina e diesel. 19 milhões de pessoas estão na miséria. A fome avança. Não tem osso e pé de galinha para todo mundo. É uma catástrofe que estamos vivendo, como não vamos discutir isso? Essa é função do Parlamento e aqui é o espaço ideal de reflexão", disse o deputado Amarildo Cruz (PT), quem iniciou o tema na tribuna.

De acordo com o deputado há uma transferência desleal de recursos com a atual política econômica dos combustíveis, priorizando acionistas e prejudicando a maior parte da população. "O custo de vida tem aumentado significativamente nesse 'desgoverno', pois todos os indicadores sociais mostram a tragédia que está acontecendo. Existe uma prioridade dos grandes acionistas em detrimento do povo brasileiro. A cena das pessoas revirando lixo, correndo atrás de osso não incomoda as autoridades. Até que ponto vamos assistir inerte? O desastre é tão grande. A Constituição foi feita para não acontecer o que está acontecendo", destacou Amarildo Cruz.

O parlamentar questionou a falta de estabilidade política e relembrou que em governos anteriores, em que também foi oposição, os temas de debates eram projetos, ao contrário do cenário atual. "Hoje temos que combater fake news de um governo que não tem proposta, tem apenas contrariedade à cultura, à ciência, à vacina. Falta sensibilidade. Antes tínhamos projetos para discutir. Economia em alto nível. Hoje você tem que discutir miséria. Estamos empobrecendo até o debate. Não tem dinheiro para habitação. Só em Campo Grande hoje tem 38 favelas, com quase 200 mil pessoas sem ter onde morar", lamentou.

O deputado Eduardo Rocha (MDB) concordou e questionou o chamado 'orçamento secreto', denunciado pela imprensa nacional. "Foi criado um orçamento secreto de R$ 30 bilhões e ainda querem aprovar projeto para prorrogar o pagamento dos precatórios. A pessoa tem uma ação contra a União, ganha em todas as instâncias e aí vai para fila ser pago pelo governo, esses são os precatórios. Até hoje todos os presidentes pagaram as pessoas dessa fila. Agora querem dar o calote nos precatórios, ficar mais tempo com o dinheiro. Por que não pegam esses 30 bilhões, supostamente dado aos deputados federais e senadores e pagam os precatórios? Quem tem orçamento secreto é porque quer fazer farra com o dinheiro público", criticou.

Também em fala na tribuna, o deputado Pedro Kemp (PT) questionou o esvaziamento do funcionalismo público e a precariedade das políticas de governo. "Além disso, vem o presidente que em uma pandemia incentiva a aglomeração, a não usar a máscara e ainda coloca em dúvida a eficácia das vacinas, quando divulga uma mentira deslavada de que a vacina desenvolve AIDS nas pessoas. É uma vergonha saber que o nosso presidente foi derrubado das plataformas da internet pela irresponsabilidade de divulgar uma mentira desse tamanho. Ele devia ser preso, pois ele está matando pessoas com as atitudes dele", indignou-se.

Por outro lado, o deputado Zé Teixeira (DEM) ponderou que há pontos positivos na atual gestão federal. "Eu sou produtor rural e para produzir e ter comida na mesa tem que ter quem trabalha e tem que ter segurança jurídica. Precisamos de um governo sério, com respeito às leis. Onde está esse dinheiro secreto? Então que gastem fazendo poços aos indígenas que sofrem com a falta de água. Mesmo com a pandemia nem tudo é culpa do governo. O combustível sai da refinaria e chega aqui com a cobrança de ICMS estadual. Nesse governo não tem mais a insegurança de que nossas propriedades vão ser invadidas ou que tenham entidades sendo apoiadas com dinheiro público para fazer isso como foi denunciado. Não estou defendendo as asneiras que o presidente fala, mas para o Brasil eu vejo que está bom, porque não vejo mais notícia de mensalão na Petrobras, nem dinheiro mal gasto em outros países como Venezuela e Cuba, como via com denúncias de corrupção no Governo do PT", finalizou o deputado.