21 de junho de 2021
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André Pucinelli é nome de respaldo no Planalto

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O governador sul-mato-grossense André Puccinelli (PMDB), líder de dois senadores e de dois deputados federais eleitos pelo principal partido da base dilmista, entrou em definitivo na melhor conta da estratégia política a ser montada pelo Palácio do Planalto para a próxima e desafiadora gestão de Dilma Roussef (PT). Ainda não se sabe quais os encargos específicos que serão delegados a cada integrante das bases de sustentação parlamentar e administrativa de Dilma Roussef, mas Brasília já respira o ar das reformas e potencializa a repercussão de nomes cotados para fazer parte desse staff. O governador de Mato Grosso do Sul está entre eles.

A senador eleita Simone Tebet e o colega de bancada Waldemir Moka – que tem mandato até 2018 – tendem a entrar em 2016 na condição de principais interlocutores e operadores políticos de Puccinelli, sobretudo se ao secretário de Obras, Edson Giroto, for dado outro destino. Embora apontado na lista de futuros conselheiros do Tribunal de Contas (TCE-MS), Giroto tem peso e credibilidade para ocupar cargos de relevância, seja no primeiro escalão do próximo governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), seja numa das autarquias federais.

Puccinelli lidera ainda três deputados federais: o reeleito Geraldo Resende e os eleitos Carlos Marun e Tereza Cristina. Os dois primeiros, do PMDB. E Tereza, do PSB, partido no qual se aninhou seguindo recomendação estratégica de Puccinelli, de quem foi secretária estadual de Produção. Com dois liderados no Senado e três na Câmara dos deputados, Puccinelli define a balança da ação política congressual no Estado. Ele tem para oferecer à base de Dilma cinco apoiadores congressuais.

Somados a outros três - os dois petistas (Zeca do PT e Vander Loubet) e o pedetista Dagoberto Nogueira, Mato Grosso do Sul presentearia a presidenta com oito de seus 11 votos da bancada federal guaicuru, já que os demais integrantes seguem outras orientações: o senador tucano Rubem Figueiró e os deputados federais Luiz Henrique Mandetta (reeleito) e Márcio Monteiro (PSDB) estão ancorados no bloco mais ativo do anti-dilmismo.

Antes de ser feita esta conta, que dependeu da manifestação das urnas em outubro, Puccinelli já tinha seu cacife próprio nas avaliações do Planalto. Além do êxito incontestável de suas duas gestões, ele já se havia declarado fidelidade à candidatura de Dilma à reeleição. Esse compromisso foi posto à prova diversas vezes, algumas bem emblemáticas. Primeiro, ao fechar as portas ao direito de candidatar-se ao Senado. Com a popularidade pessoal e a aprovação administrativa nas alturas, poderia eleger-se como num passeio, uma nomeação nas urnas. Optou pelo chão menos confortável: fechar o mandato com a chamada “chave de ouro”, acompanhando diuturnamente o andamento das obras e cumprindo os compromissos definidos para cumprir até 31 de dezembro.

Quando o PMDB ainda ensaiava o processo de escolha de candidatos ao Governo, Puccinelli já acenava para a composição com o PT de Delcídio Amaral. E considerava duas opções, a primeira com um peemedebista na cabeça de chapa e a outra com o petista. Delcídio não quis, não soube valorizar a alternativa ou preferiu mergulhar de cabeça numa improvável aliança branca com Reinaldo Azambuja. Deu no que deu.

Mesmo sem empenhar-se a fundo – como manda a tradição – na campanha do candidato de seu partido, Puccinelli fez o que suas bases esperavam: liberou-as para ficar com quem quisessem no segundo turno. E não moveu para outro lugar o pé que havia fincado no terreno dilmista, apoiando a candidata petista num Estado cujos eleitores, em sua grande maioria, exibiam-se com extrema e decidida má-vontade contra a reeleição da presidenta. Puccinelli não quis jogar de acordo com a plateia e foi coerente, corajoso e íntegro na decisão que tomara muito antes da refrega eleitoral.

Hoje, especula-se que para Puccinelli estaria sendo reservado um lugar importante na equipe do segundo mandato de Dilma. Fala-se em ministérios ou em órgãos afeitos ao seu perfil, como a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). De qualquer forma, convocado ou não, André Puccinelli entregará o governo voando em céu de brigadeiro.

Redação