21 de janeiro de 2021
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Política

Andrezistas fazem planos, mas ex-governador aguarda desfecho

O ex-governador André Puccinelli (MDB) não quer discutir agora seu futuro político. Depois de ser solto da cadeia na noite de quarta-feira, 19, após passar cinco meses recolhido ao sistema prisional de Campo Grande, suas principais ocupações priorizam o restabelecimento do convívio com a família e as amizades. Não deixará também de agradecer às pessoas que de diversos municípios do Estado e do País se solidarizaram com ele enviando manifestações de encorajamento e conforto.

Entretanto, a atenção à conjuntura política se mantém. É instintiva, está na essência de quem se formou médico e exercendo a profissão recebeu o chamado para ingressar na vida publica, primeiro como secretário estadual de Saúde, no governo de Wilson Martins (1986-90), e depois em mandatos sucessivos na Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Prefeitura de Campo Grande e Governo de Mato Grosso do Sul. Assim, enquanto aproveita o tempo com esposa, filhos e netos e recuperando-se física e emocionalmente do impacto causado pelos quase 150 dias de privação da liberdade, Puccinelli prepara, com paciência, o que vai fazer no próximo ano.

Fontes muito próximas afianças que o ex-governador vai cuidar primeiro da sua situação, apostando no êxito do arrazoado submetido ao Judiciário pela defesa. Os recursos tramitam normalmente e existe a possibilidade de julgamento no primeiro semestre de 2019. Puccinelli confia na absolvição dos crimes que lhe foram imputados durante as etapas da Operação Lama Asfáltica. Ele e seu filho, André Puccinelli Jr, acreditam que as peças de defesa e a ausência de provas para incriminá-los derrubam todas as denúncias do Ministério Publico e esvaziam as acusações de que são alvos.

Retomar a cena política e o comando partidário, no entanto, continuam sendo objetos de desejo da militância emedebista, como deixaram evidenteis os deputados etaduais Renato Câmara e Júnior Mochi, ambos do MDB. Câmara é mais direto e antecipa que no próximo ano Puccinelli vai reassumir o leme da embarcação emedebista para conduzi-la às eleições municipaios de 2020. “Com ele, o MDB vai reconquistar as prefeituras que perdeu e revitalizar o ânimo da militância”, projeta. Renato Câmara é nome certo da legenda para a disputa da Prefeitura de Dourados, hoje controlada por Délia Razuk (PR).

Por sua vez, Mochi ainda não comentou o que fará além de exercer papel dirigente no partido e trabalhar na banca de advocacia do filho. Ficará sem mandato nos próximos dois anos, depois do insucesso como candidato ao governo em outubro. Se quiser, pode inscrever-se na disputa pela Prefeitura de Coxim, município que administrou em dois mandatos antes de chegar à Assembleia Legislativa. De qualquer forma, o retorno de Puccinelli ao cenário político é uma das espranças de Mochi para o ressurgimento dos bons e vitoriosos tempos do MDB.