26 de outubro de 2020
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ELEIÇÕES 2020

Aos 82 e depois de um câncer, o velho Akira se recusa à aposentadoria

Ex-deputado é aposta do MDB para enfrentar candidato apoiado pelo presidente da Assomasul

Vereador em Três Lagoas entre 1971 e 1982. Deputado estadual com sete mandatos, de 1983 a 2010. Deputado federal de 2011 a 2015. Vice-prefeito de 2017 a 2020. Ao todo, um acúmulo de 13 mandatos, um dos recordes nacionais mais impressionantes de desempenho vitorioso nas urnas e de longevidade política.

Este é o perfil do atual vice-prefeito de Bataguassu, Akira Otsubo. Aos 82 anos, mais de meio século na vida pública e vitorioso em enfrentamentos dos mais complexos - como a longa e árdua luta contra um câncer -, recusa-se enfaticamente a falar sobre aposentadoria ou sequer a cogitá-la. Quer permanecer na ativa.

O DESAFIO

No último domingo (13.set.2020), a prova dessa disposição foi dada durante a Convenção do MDB, que homologou seu nome para disputar a prefeitura. O MDB o escolheu para enfrentar o vereador Dennis Thomazini (PSDB), o ungido do prefeito tucano Pedro Caravina, presidente da Associação dos Municípios (Assomasul). 

Será uma luta de final imprevisível. Além do apoio da máquina publica, da influência política e eleitoral do dirigente municipalista e das alianças com nomes de peso, entre eles o candidato a vice, ex-vereador Reginaldo Banha, o postulante do PSDB conta ainda com o poder econômico de apoiadores do círculo de relações de Caravina.

Para Akira Otsubo, tudo isso é levado em conta, mas não mete medo e não faz a eleição ser decidida na véspera. Confia nos alicerces de sua campanha, principalmente as manifestações incentivadoras que vem recebendo da população, a presença ao seu lado de forças sociais e partidos importantes, como o PT, e uma companheira de chapa que, afirma, traz uma soma diferenciada: a pedagoga Zélia Bomfim.

 Zélia Bomfim e Akira Otsubo. Foto: Reprodução 

Akira põe fé também no próprio currículo pessoal. "Não tenho uma única mancha na vida publica em 13 mandatos. Todos os cargos eletivos que exerci e exerço são frutos da delegação soberana e legítima do voto popular. Não é poder econômico que vai assustar, a consciência das pessoas é livre e deve ser respeitada", sentencia. 

O candidato emedebista se diz ainda mais encorajado e confiante com manifestações de apoio que chegam por parte de personalidades de diversos segmentos políticos, sociais, econômicos e classistas do município. "Não sou candidato de mim mesmo. Estou numa estrada e sigo um caminho, defendendo aquilo em que acredito. Quem me ouve, analisa e decide se caminha comigo ou não. Felizmente, a coleção de ouvintes e acompanhantes só vem aumentando. E é isso que me faz seguir, continuar caminhante", conclui.