20 de abril de 2021
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ELEIÇÕES 2022

Após abrir mão de aposentadoria de senadora, Marina não se candidatará em 2022

Marina disse que pretende destinar, caso ocorra, apoio à candidatura de Ciro Gomes (PDT)

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A ex-ministra e ex-senadora Marina Silva (Rede), de 63 anos, após dar grande exemplo de cidadania abrindo mão de aposentadoria de senadora, diz que não pretende concorrer as eleições de 2022. Apesar de grande ativista pelo meio ambiente, uma das figuras políticas respeitada mundo afora, os brasileiros destinaram em 2018 apenas 1% de votos à candidata do Rede Sustentabilidade (partido criado por ela).

Vivendo isolamento em Brasília (DF), Marina disse em entrevista ao Estadão que pretende recorrer a aposentadoria apenas de sua formação de educadora. 

Marina disse que pretende destinar, caso ocorra, apoio à candidatura de Ciro Gomes (PDT).

— Depois de ter 1% dos votos numa eleição, e diante de tanta gente que teve um melhor desempenho, é difícil alguém fazer essa proposta. Principalmente prevalecendo esse critério de que se discute primeiro as métricas eleitorais, em termos de voto, e não métricas qualitativas, em termos de programa. A única coisa que posso dizer é que tenho me dedicado o tempo todo a construir o que é melhor para o Brasil. Tenho essa disposição para o diálogo. Não sou do tipo que acha que um bom projeto de país só funciona comigo.

Marina criticou a gestão bolsonarista diante do desastre do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento a Covid-19. — Não há dúvida de que o Brasil está sendo avaliado como o país com o pior desempenho na condução das medidas de saúde em relação à pandemia. Isso se deve ao fato de o governo ter desistido de cuidar da população brasileira e pela politização, que transforma tudo em cálculo eleitoral. Se o cálculo eleitoral dissesse que fazer lockdown daria algum tipo de dividendo, era isso que teria sido feito. O governo federal, por sua vez, criou todas as dificuldades possíveis para se adquirir a vacina. A politização eleitoreira de um tema que tem a ver com a vida das pessoas é um atraso civilizatório. O negacionismo tem várias formas. Tem o ideológico e primitivo, que é colocado em palavras pelo presidente Bolsonaro, que lavou as mãos, e outro é o negacionismo disfarçado, que maquia o que a ciência está dizendo com uma ética de conveniência. Se não fosse o trabalho que a mídia tem feito, a sociedade brasileira estaria totalmente à deriva.

A criadora do Rede Sustentabilidade disse que apesar de todos estarem em corrida eleitoral em meio a pandemia, e isso é errôneo, o que se deve observar não é um nome, a população tem que se permitir a estudar o projeto de governo dos candidatos. — O mais importante é discutir qual é o projeto. Eu participo de um campo do qual fazem parte PDT, PV, PSB, Rede e o Cidadania, que tem sido convidado. Há concordância que neste momento temos que adensar um projeto que leve os setores do campo da esquerda democrática, da centro-esquerda e progressistas a ter um projeto que recupere o Brasil para um percurso civilizatório coerente com o que é uma democracia ocidental. O Brasil não pode ficar trancado do lado de fora achando que pode queimar floresta — disse. 

Segundo Marina, está sendo apelado à esquerda democrática não dogmática, da centro-esquerda, dos setores progressistas e de centro-direita que pensam em primeiro lugar no Brasil. — É nesse lugar que estamos nos articulando, e com uma pessoa que tem uma experiência política, administrativa e de política nacional que já colocou seu nome, que é o Ciro Gomes. Ele está fazendo esse diálogo maior, que não é em torno do nome, mas do projeto. O pior dos mundos é criar a velha polarização que existia, entre PT e PSDB, e deixar o tempo todo o brasileiro em terceiro. Agora seria a velha polarização, mas entre Bolsonaro e Lula ou PT. Agora é o momento de a sociedade assumir o primeiro lugar. Tenho a tranquilidade de quem já perdeu três campanhas, já procurei dar uma contribuição — destacou. 

— O Ciro Gomes tem legitimidade, competência e capacidade para se colocar, mas eu acho que ele próprio não está trabalhando com essa ideia de terceira via. Ele e todos nós buscamos a recuperação sustentável da economia brasileira, a dignidade humana, a defesa da democracia, da liberdade de expressão e das instituições. Queremos uma primeira via. E que nessa primeira via o Brasil seja capaz de colocar em primeiro lugar a saúde do seu povo.

Segundo Marina, nomes como o do apresentador Luciano Huck é natural que surjam numa democracia, mas para ela, isso não pode criar uma pulverização de modo a garantir a permanência de quem faz mal ao Brasil.  — É importante que surjam novas lideranças no cenário político. É importante que tenha surgido o nome do Luciano e que um jovem de sucesso como apresentador tenha a intenção de contribuir com o processo político do Brasil. Eu advogo a renovação da política não só no discurso, mas também dos quadros. Mas acho que ele tem alguns problemas claros a serem enfrentados. A fragilidade da articulação em torno da qual a mídia está falando que ele está, com o DEM e o PSDB. A gente ouve que há essa articulação (dele) em torno do DEM e do PSDB. O DEM na eleição da (presidência) da Câmara foi para o Bolsonaro. O PSDB tem o Doria. Tem aí um desafio muito grande. Ele (Huck) precisa refletir muito — orientou. 

Veja a entrevista completa no Jornal O Estado de S. Paulo.