20 de junho de 2021
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CPI | COVID-19

Araújo e Pazuello serão ouvidos na "pior semana" da CPI para imagem do Governo Federal

Ex-ministros das Relações Exteriores e da Saúde prestam depoimentos amanhã (18.mai.2021) e 4ª feira (19.mai.2021) respectivamente

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Enquanto a Comissão Temporária da Covid-19 realiza nesta 2ª feira (17.mai.2021) uma Audiência Pública para debater entraves à aquisição de vacinas - ouvindo embaixadores dos EUA, China, Rússia e Índia -, amanhã (18.mai.2021) quem presta depoimento é o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, segundo informações da Agência Senado, naquela que integrantes da tropa de choque governista no Senado projetam como a pior semana para o Governo na CPI.

Ainda amanhã (18.mai), a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado deve aprovar a quebra de sigilo do vereador Carlos Bolsonaro; de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, além de Filipe Martins, assessor internacional da Presidência; do coronel Élcio Franco, número 2 do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello, e de Marcos Eraldo Arnoud, o Markinhos Show, marqueteiro que atuava como assessor especial do ministério, de acordo com informações da reportagem do colunista Josias de Souza, do UOL.

Nessa quebra de sigilo estão inclusas a visualização da troca de mensagens por aplicativos e e-mails de Carlos Bolsonaro. Ainda, informações do portal Brasil 247 apontam que os demais poderão ter abertos os sigilos bancário e fiscal.

Quem apresentou requerimentos para a convocação de Ernesto Araújo, nesta 3ª feira (17.mai), foram os senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), de acordo com a Agência Senado. Eles buscam do ex-ministro explicações sobre a condução da diplomacia brasileira depois da crise sanitária causada pela Covid-19, um dia após ouvirem os pareceres de embaixadores estrangeiros.

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Ainda, de acordo com Marcos do Val, um dos objetivos da CPI é apurar ações e possíveis omissões por parte da gestão federal no enfrentamento da pandemia, com foco no caso da falta de oxigênio para pacientes internados no Amazonas. O senador defende que Araújo executou o negacionismo de Jair Bolsonaro (sem partido) também na política externa, o que refletiu na perda de oportunidades para adquirir vacinas e insumos essenciais.

Alessandro Vieira, segundo resume a agência de notícias do Senado, busca informações sobre "os termos de atuação do ministério para trazer vacinas e insumos para o Brasil". Os demais requerimentos devem ser votados até amanhã, mesma data do depoimento.

PRÓXIMOS DEPOIMENTOS

Já na 4ª feira (19.mai.2021) quem depõe é o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, seguido pela secretária de Gestão do Trabalho, Mayra Pinheiro [conhecida como Capitã Cloroquina] na 5ª feira (20.mai.2021).

Com depoimento marcado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, analisa ainda o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para que Pazuello mantenha-se calado em depoimento à CPI.

Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) enviou um ofício ao ministro do STF indo contra o pedido da AGU, alegando que o silêncio de Pazuello pode prejudicar o trabalho da comissão. Pela decisão do Supremo, o ex-ministro Eduardopoderá ficar quieto quanto aos questionamentos que o incriminam, mas estará obrigado a falar a verdade sobre terceiros, o que inclui o atual presidente.

POLÊMICAS DE PAZUELLO

Eduardo Pazuello já deveria ter sido ouvido, pelo pedido de convocação aprovado em 29 de abril para que o ex-ministro prestasse depoimento em 05 de maio. Um dia antes, ele disse através de assessoria que não iria comparecer já que teve contato com dois coronéis infectados com Covid e, por isso, decidiu entrar em quarentena.

Ele tinha sido flagrado em um shopping de Manaus, em 25 de abril, sem máscara, afirmando que estava no local para comprar uma. Ao ser questionado por uma moradora sobre o uso do equipamento, que publicou a resposta nas redes sociais, o ministro ironizou dizendo: “Pois é, tem que comprar. Onde compra isso?”.

Entre os acontecidos que marcaram a gestão do General do Exército frente à pasta da Saúde estão:

  • recordes sucessivos no número de mortes por Covid;
  • recomendação de medicamentos e tratamentos ineficazes contra a Covid;
  • crise no fornecimento de oxigênio para hospitais;
  • atraso na compra de vacinas.

Contra ele há ainda forte contrariedade vinda da cúpula do Exército, diante dessa tentativa de Pazuello de se escudar na farda, em busca de um habeas corpus. “Quando assumiu a Saúde sem ir para a reserva, não se preocupou com a imagem das Forças Armadas. Agora, usa a farda para se proteger”, lamentou um general da reserva.

Presidente da CPI da Pandemia, o senador Omaz Aziz (PSD-AM) mandou um recedo direto ao ex-ministro da saúde - durante entrevista ao jornal Valor -, dizendo que: "o medo do Pazuello é porque ele disse que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Na vida pública, você erra por omissão, mas também erra por obediência. Nem tudo que te dão ordem você é obrigado a fazer". 

Pazuello ainda é investigado por suposta omissão no enfrentamento da pandemia no Amazonas, que foca no colapso da saúde em Manaus, sendo que o Ministério Público Federal diz que o então ministro sabia do iminente colapso no abastecimento de oxigênio.

** (Com informações Agência Folhapress; portal G1 Política e Brasil 247)