28 de novembro de 2020
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POLÍTICA

Aumenta o risco de Bolsonaro perder o mandato por disseminar fake news

O julgamento dos pedidos de cassação da chapa de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão por crimes eleitorais, entre eles a disseminação de notícias mentirosas, durante a campanha eleitoral, levará em conta as provas colhidas pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira. Os suspeitos investigados e as provas colhidas são ingredientes novos nos processos prestes a entrar na agenda dos magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foram quebrados os sigilos fiscal e bancário, entre outros, do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan e suspeito de financiar o envio de fake news a milhões de eleitores, nas eleições de 2018. A determinação de Moraes gerou uma resposta radical de Bolsonaro, que ameaçou a integridade da Corte, em entrevista concedida na véspera.

Hang e os demais investigados foram surpreendidos pela ação da PF e não tiveram tempo de se livrar das evidências que poderão provar a participação de Bolsonaro no suposto esquema de propagação das mentiras usadas na campanha eleitoral e, assim, fortalecer as ações contra o mandatário neofascista, no TSE.

DENÚNCIAS 

Relator do inquérito que apura a veiculação de notícias falsas e ameaças a ministros do STF, Moraes ordenou que fossem realizadas perícias nos dados financeiros dos alvos da operação a partir de 2018. Vários deles recolhiam dinheiro, em grupos de empresários, para o financiamento dos esquemas que contavam com robôs e pessoas contratadas pela organização criminosa, segundo o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, para cometer “terrorismo virtual”.

Denúncias veiculadas ainda durante a campanha de 2018 apontavam que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens de ódio contra os adversários, o que o TSE considera uma prática criminosa. Segundo apuraram, até agora, os investigadores, os empresários que colaboraram com o esquema também não prestaram contas à Justiça Eleitoral, o que poderá configurar o crime de caixa 2.

As denúncias do PT e PDT, que ainda tramitam no Tribunal, foram agravadas na decisão de Alexandre de Moraes, em face dos novos elementos colhidos nas operações da PF, após quebrado os sigilos de empresários investigados. Mas as determinações do ministro do STF foram questionadas pela Procuradoria Geral da República (PGR). O procurador-geral, Augusto Aras, pediu que o inquérito fosse suspenso por não “contar com supervisão ou anuência prévia do órgão de persecução penal (ou seja, a PGR)”.

SIGILO QUEBRADO 

Anteriormente, Aras foi consultado pela Corte Suprema quanto aos mandados de busca e apreensão e as quebras de sigilo contra os investigados e discordou das medidas. Ainda assim, Moraes as autorizou e o PGR se disse surpreendido com a operação. Em seguida, ele pediu a Fachin que suste o inquérito até análise do plenário sobre seus limites, o que ainda não foi decidido.

Principal alvo da operação deflagrada pela PF, na quarta-feira, o empresário Luciano Hang chegou a ser apontado como responsável por subsidiar o envio de mensagens contra adversários de Bolsonaro, no segundo turno daquela campanha. Em depoimento à PF, ainda em 2019, Hang afirmou não saber sequer o que seria esse impulsionamento e negou a sua participação em qualquer esquema de disparo de notícias falsas.

Moraes também ordenou a quebra de sigilo bancário e telemático de outros três alvos: Edgard Corona (dono das academias BioRitmo e SmartFit), o humorista Reynaldo Bianchi Junior e o militante Winston Rodrigues Lima. Segundo o ministro, a estrutura “aparentemente estaria sendo financiada por empresários” e que há indícios de que esse grupo “atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”.

NOVAS AÇÕES 

Ao todo, a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão no inquérito e identificou, ainda, indícios de envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o filho ’02’ do presidente, no esquema de notícias falsas, o que comprovaria sua ligação no esquema criminoso.

Outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de SP, também é suspeito. Ambos negam e acusam Moraes de perseguição, mas poderão ser chamados a depor. Moraes, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, já teria subsídios para determinar novas operações policiais ainda mais graves do que aquelas determinadas nesta quarta-feira.

Moraes disse a interlocutores, nesta manhã, que aguardará as provas obtidas nas buscas, para subsidiar os dados anexados ao inquérito. O fato explicaria, em parte, o estado de nervos do presidente Bolsonaro, que aguarda com muita apreensão o desenvolvimento dos fatos junto ao TSE.

Fonte: Correio do Brasil